Executivo da Nvidia diz que IA física não terá limites e impulsionará robótica e medicina
Executivo da Nvidia: IA física não terá limites

Ian Buck, vice-presidente de computação de alta performance da Nvidia, afirmou que a inteligência artificial aplicada ao mundo físico não terá limites. Em entrevista a VEJA durante evento em San José, na Califórnia, ele explicou que os modelos do mundo físico são a próxima fronteira da tecnologia, com potencial para transformar setores como medicina, robótica e transporte autônomo.

Origem do Cuda: de videogames à base da IA

Buck relembrou sua trajetória como estudante de doutorado em Stanford, onde teve a ideia de usar chips de videogame para cálculos além dos gráficos. Essa pesquisa deu origem ao Brook, um projeto de código aberto que mais tarde evoluiu para o Cuda, a plataforma de software que hoje sustenta a maioria dos sistemas de inteligência artificial do mundo.

“Há 25 anos, percebi que chips de videogame tinham milhares de núcleos capazes de fazer milhões de cálculos simultâneos. Criei o Brook, que se tornou popular entre pesquisadores, empresas de petróleo, bancos e agências governamentais. Esse foi o antecessor do Cuda”, disse Buck.

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A Nvidia convidou Buck para desenvolver o Cuda profissionalmente a partir de 2004. Durante dez anos, a empresa manteve a plataforma em cada chip sem gerar lucro, focando em construir uma base de desenvolvedores. “Estamos agora na 13ª versão do Cuda. Cada máquina de ressonância magnética tem esses processadores. Medicamentos da Eli Lilly e da Pfizer são testados em simulação virtual com nossa tecnologia. Certos tipos de câncer estão sendo compreendidos e potencialmente curados com essa combinação de software e IA”, afirmou.

IA física: a próxima fronteira

Para Buck, o mercado ainda subestima os modelos do mundo físico. Diferente dos grandes modelos de linguagem, que entendem texto, esses modelos são treinados para compreender física, movimento e causa e efeito. “A robótica é a grande aplicação. Podemos treinar robôs em simulação virtual antes de tocarem o mundo real. Um robô pode aprender a operar um paciente, montar um avião ou combater um incêndio praticando milhões de vezes em ambiente simulado”, explicou.

Carros autônomos: o próximo boom

O executivo revelou que a Nvidia aposta fortemente em veículos autônomos, mesmo sem retorno financeiro imediato. “Há dez anos, testamos um carro que frearia automaticamente ao detectar um papelão em formato humano. Quase funcionou. Desde então, percorremos Las Vegas inteira coletando dados. Tesla e Waymo são exemplos visíveis, mas todas as grandes montadoras caminham nessa direção. Quando o transporte autônomo chegar para valer, não haverá limite. Isso impactará todas as indústrias”, disse.

Impacto na saúde e biologia

Buck destacou a área da saúde como a mais fascinante. “Minha primeira demonstração do Cuda foi uma simulação de dinâmica molecular, com proteínas em nível atômico. A biologia é física; as proteínas são máquinas. Durante a covid, supercomputadores simularam a proteína do vírus, permitindo que cientistas projetassem moléculas para bloqueá-lo. Esse entendimento da biologia em nível molecular é onde o Cuda e a IA terão seu impacto mais importante”, concluiu.

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