EUA e China travam corrida tecnológica pela supremacia da Inteligência Artificial
Corrida EUA-China pela supremacia da Inteligência Artificial

A Nova Corrida Tecnológica: EUA e China na Disputa pela Supremacia da Inteligência Artificial

Enquanto no século XX a corrida nuclear mobilizava Estados Unidos e União Soviética, atualmente os EUA se encontram em uma disputa de natureza completamente diferente com a China. O objetivo central é o domínio tecnológico, especialmente no campo da Inteligência Artificial (IA), uma batalha que movimenta trilhões de dólares e envolve laboratórios de pesquisa, universidades e startups de ponta em ambos os países.

Uma Batalha entre "Cérebros" e "Corpos"

Nick Wright, pesquisador em neurociência cognitiva da University College London, resume esta competição como uma batalha entre "cérebros" e "corpos". Os Estados Unidos tradicionalmente lideram nos chamados "cérebros" da IA, que incluem chatbots, microchips e grandes modelos de linguagem (LLMs). Já a China tem se destacado notavelmente no quesito "corpos" de IA, especialmente em robôs humanoides que se assemelham de forma impressionante a seres humanos.

A Disputa pelos Modelos de Linguagem

Em novembro de 2022, a empresa californiana OpenAI lançou o ChatGPT, marcando o nascimento do primeiro grande modelo de linguagem de grande escala. Especialistas concordam que, neste campo específico, os EUA mantêm vantagem significativa, com mais de 900 milhões de usuários semanais do ChatGPT e bilhões de dólares investidos por empresas como Anthropic, Google e Perplexity em sistemas concorrentes.

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A chave da vantagem estratégica americana, segundo um alto funcionário ouvido pela BBC, está menos na sofisticação dos algoritmos e mais no hardware que sustenta o enorme poder de computação, particularmente os microchips. A maioria dos chips mais avançados do mundo é projetada pela Nvidia, empresa californiana que recentemente atingiu valor de mercado de US$ 5 trilhões.

Controles de Exportação e a Reação Chinesa

Os Estados Unidos utilizam um rígido sistema de controles de exportação para impedir que a China tenha acesso a esses chips avançados, política significativamente reforçada em 2022 pelo então presidente Joe Biden. Esta estratégia inclui pressionar empresas como a holandesa ASML, única fabricante mundial de equipamentos de litografia ultravioleta necessários para produção de chips de ponta.

Porém, em janeiro de 2025, a China lançou seu próprio chatbot com inteligência artificial: o DeepSeek. O modelo chinês apresentou capacidades semelhantes aos modelos americanos, mas utilizando uma quantidade muito menor de chips para seu treinamento, causando impacto significativo nos mercados e demonstrando que a política americana de controle de exportações pode ter acelerado a autossuficiência tecnológica chinesa.

A Vantagem Chinesa na Robótica

Quando se trata dos "corpos" da IA, a China historicamente leva vantagem. Desde a década de 2010, o governo chinês ampliou fortemente o apoio ao desenvolvimento de robôs, financiando pesquisas e concedendo bilhões em subsídios. Atualmente, estima-se que haja cerca de dois milhões de robôs em operação no país, mais do que no resto do mundo inteiro.

A China também se destaca em robôs humanoides, com uma "fábrica escura" em Chongqing operando com 2 mil robôs e veículos autônomos capazes de produzir um carro por minuto. O governo chinês vê os robôs como solução para o rápido envelhecimento populacional, com previsão de que até 2035 o número de pessoas com 60 anos ou mais superará toda a população dos EUA.

O Desafio dos "Cérebros" Avançados

Entretanto, há uma limitação importante: cada robô precisa de um "cérebro" - um sistema operacional ou software que determina suas ações. Para tarefas repetitivas, a China produz sistemas adequados, mas para tarefas complexas é necessária IA agêntica, campo onde os EUA ainda mantêm vantagem significativa.

Como demonstra a empresa americana Boston Dynamics com seu robô Spot, capaz de realizar inspeções industriais avançadas, as companhias chinesas não são as únicas capazes de produzir robôs eficazes. Esta tecnologia tem aplicações tanto promissoras quanto inquietantes, incluindo drones militares como o Gogol-M utilizado pela Ucrânia.

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Quem Vai Vencer Esta Corrida?

Greg Slabaugh, professor de visão computacional e IA na Queen Mary University of London, afirma que é difícil prever um vencedor, pois a "vitória" provavelmente não será um momento único como o pouso na Lua. "O que importa é a vantagem sustentada: quem lidera em capacidade, quem incorpora a IA de forma mais eficaz na economia e quem define os padrões globais", explica.

Mari Sako, da Saïd Business School da Universidade de Oxford, observa que cada lado está mais bem posicionado para prevalecer dentro de suas próprias regras: "Quando dois atores competem com regras diferentes, suspeito que aquele que conquistar o público mais amplo tende a levar vantagem".

O que está em jogo nesta corrida é extremamente alto, com potencial para definir qual nação emergirá mais forte no século XXI. Enquanto grandes empresas de tecnologia americanas buscam avançar rapidamente com poucas restrições, o Partido Comunista Chinês defende supervisão estatal sobre a pesquisa em IA, criando dois modelos distintos de desenvolvimento tecnológico que competem pela supremacia global.