Big Techs enfrentam julgamento inédito nos EUA por vício em redes sociais
As gigantes da tecnologia TikTok, Meta e YouTube estão no centro de um julgamento histórico que se iniciou nesta terça-feira, 17, no Tribunal Superior da Califórnia, em Los Angeles. Pela primeira vez nos Estados Unidos, essas empresas precisam se defender perante um júri por acusações relacionadas ao estímulo ao uso viciante de suas plataformas e aos impactos negativos na saúde mental de crianças e adolescentes.
Processo movido por jovem de 19 anos expõe mecanismos de engajamento
A ação judicial foi movida por uma jovem de 19 anos, que alega ter desenvolvido dependência das redes sociais ainda na infância. Segundo o processo, recursos de design deliberadamente criados para reter a atenção dos usuários, como curtidas, comentários, compartilhamentos e métricas de tempo de tela, contribuíram para um uso compulsivo dos aplicativos.
Essa dependência teria agravado quadros de depressão, gerado pensamentos suicidas e exposto a jovem a situações de bullying e extorsão. O caso coloca em xeque as práticas das big techs, que tradicionalmente priorizam o engajamento dos usuários como métrica de sucesso.
Advogado destaque e possível depoimento de Zuckerberg
Matthew Bergman, advogado da vítima, afirmou à agência Reuters que este é o primeiro processo desse tipo contra grandes empresas de tecnologia no país. O julgamento pode abrir um precedente significativo, pavimentando o caminho para uma série de ações semelhantes no futuro.
O ex-presidente executivo da Meta, Mark Zuckerberg, deverá prestar depoimento durante o julgamento, o que adiciona um elemento de alto perfil ao caso. Enquanto isso, o YouTube argumenta que não deveria integrar o processo, alegando que seu modelo de adesão difere substancialmente de redes sociais como Instagram e TikTok.
Snapchat firma acordo e caso pode ter amplas repercussões
O Snapchat também foi citado na ação original, mas não irá a júri após firmar um acordo com a jovem. O montante da indenização não foi divulgado, mantendo-se em sigilo.
Especialistas apontam que o desfecho deste julgamento pode ter implicações profundas para a indústria tecnológica, potencialmente levando a:
- Maior regulamentação sobre o design de plataformas digitais.
- Mudanças nas políticas de proteção a usuários jovens.
- Novos debates sobre responsabilidade corporativa em saúde mental.
O caso reflete uma crescente preocupação global com os efeitos do uso excessivo de telas e redes sociais, especialmente entre adolescentes, e coloca as big techs sob um escrutínio legal sem precedentes.