A cantora Taylor Swift protocolou pedidos de registro de marca nos Estados Unidos com o objetivo de proteger sua voz e imagem contra o uso indevido por sistemas de inteligência artificial (IA). A ação, que testa os limites das leis atuais de propriedade intelectual, destaca a busca por novas defesas legais contra as chamadas réplicas digitais e deepfakes.
Iniciativa legal inovadora
A iniciativa foi realizada por meio de sua empresa, a TAS Rights Management, que apresentou três solicitações ao Escritório de Patentes e Marcas dos EUA (USPTO) no dia 24. A equipe da cantora solicitou o registro de duas marcas sonoras específicas contendo as frases “Hey, it’s Taylor Swift” e “Hey, it’s Taylor”. Além dos áudios, há também o pedido para uma marca visual baseada em uma fotografia altamente detalhada: a imagem descreve Swift no palco segurando uma guitarra rosa com alça preta, vestindo um body iridescente multicolorido e botas prateadas, em frente a um microfone com luzes roxas ao fundo.
Ao registrar elementos tão específicos, o objetivo é dificultar a criação de conteúdos artificiais que possam enganar o público ou lucrar com sua identidade. O movimento da artista reflete uma crescente preocupação da indústria do entretenimento com o avanço irrestrito das ferramentas generativas de IA.
Impacto da tecnologia na identidade
Nos últimos anos, Swift foi alvo frequente de falsificações digitais geradas sem seu consentimento, o que incluiu a disseminação de imagens explicitamente sexuais e falsos endossos políticos associados à campanha de Donald Trump em 2024. Do ponto de vista legal e tecnológico, a manobra é considerada inovadora.
Tradicionalmente, o sistema de marcas registradas não foi desenhado para proteger a aparência, voz ou “persona” de indivíduos, que costumavam depender das leis estaduais de direito de imagem e de direitos autorais sobre gravações. No entanto, como a IA consegue sintetizar vozes e criar imagens inéditas em segundos a partir de amostras curtas, a estratégia de “registrar a si mesmo como marca” preenche uma lacuna, oferecendo um recurso legal em âmbito federal para combater imitações.
Segundo advogados especializados em patentes, Swift agora tem base para processar criminalmente o uso de IAs que gerem vozes ou imagens “confusamente semelhantes” às suas marcas registradas.
Precedente estabelecido
A tese jurídica de Swift segue o caminho aberto recentemente pelo ator Matthew McConaughey. O ator conseguiu aprovar registros semelhantes em 2025 para se blindar contra os clones de IA, patenteando o áudio de seu famoso bordão “Alright, alright, alright!”, do filme Jovens, Loucos e Rebeldes (1993). Com o avanço rápido das tecnologias de clonagem, os pedidos de Swift e McConaughey estabelecem um forte precedente de como figuras públicas moldarão o futuro do direito de identidade no cenário digital.



