GSI alerta para ameaças cibernéticas e defende centralização da segurança digital do Estado
GSI alerta para ameaças cibernéticas e defende centralização

GSI alerta para ameaças cibernéticas e defende centralização da segurança digital do Estado

O avanço acelerado da inteligência artificial, cada vez mais sofisticada e acessível à população brasileira, traz consigo um amplo leque de ameaças à estabilidade das instituições públicas e à integridade da informação no debate democrático. Um desafio iminente destacado por especialistas é a enxurrada de deepfakes de políticos nas redes sociais, que vem desafiando os mecanismos de controle da Justiça Eleitoral e colocando em risco a credibilidade do processo político.

Monitoramento constante e números alarmantes

Em paralelo ao trabalho da Justiça, o esforço para assimilar novas tecnologias e combater ameaças à estabilidade nacional é uma das atribuições fundamentais do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão do governo federal diretamente responsável por avaliar riscos às instituições e ao estado democrático de Direito. De dentro do Palácio do Planalto, o GSI monitora o avanço das ferramentas digitais ao redor do mundo e alerta para ciberataques e vulnerabilidades nas barreiras virtuais do Estado brasileiro.

Dados do CTIR Gov, o monitor de ameaças cibernéticas do GSI, indicam que o perigo é crescente e preocupante. Apenas em 2025, os sistemas do Estado foram alvo de 7.112 vazamentos de dados, 1.203 falsificações de páginas do governo e 2.090 abusos de sítio, que incluem invasões e alterações não autorizadas de sites oficiais. Desde 2021, o órgão registrou nada menos que 33.400 incidentes cibernéticos e emitiu outros 33.100 alertas de vulnerabilidade nas redes do poder público.

"As detecções vêm crescendo, em parte, em razão de parcerias que firmamos para rastrear vazamentos e encontrar vulnerabilidades, mas ainda existe subnotificação. O cenário real de ameaças é muito maior", explica André Molina, secretário de Segurança da Informação e Cibernética do GSI. Ele alerta que as motivações para os ciberataques podem ser puramente financeiras, como a crescente prática de golpes virtuais pelo crime organizado, mas também podem envolver desinformação política, incitação ao tumulto e ao caos digital ou interferência de agentes externos no Brasil.

Centralização e educação como pilares fundamentais

Para Molina, o debate legal sobre a segurança da informação e cibernética vem amadurecendo no Brasil. No âmbito do GSI, o Comitê Nacional de Cibersegurança (CNCiber) elaborou, desde 2023, a Estratégia Nacional de Cibersegurança e o Plano Nacional de Cibersegurança, documentos que norteiam as ações de prevenção e mitigação de riscos ao Estado. O órgão também atuou na formulação do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), do Executivo, com diretrizes para a adoção segura e responsável da IA pelo poder público.

Em paralelo, o Congresso Nacional aprovou em 2025 o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, que entra em vigor na próxima terça-feira, 17, com novas obrigações às plataformas digitais para combater abusos contra menores na internet. Também no ano passado, o Supremo Tribunal Federal alterou o Marco Civil da Internet para ampliar as responsabilidades das big techs sobre crimes praticados por usuários nas redes sociais.

O principal gargalo da segurança cibernética no Brasil, no entanto, é a descentralização: no modelo atual, o combate às ameaças digitais é atribuído de forma independente a dezenas de órgãos federais, o que atrasa as respostas a crises e dificulta a implementação das políticas de prevenção. A solução apontada é a criação de um órgão central de cibersegurança, capaz de monitorar os riscos e padronizar os sistemas de defesa virtual do Estado.

"No mercado dos cibercrimes existe articulação entre quem produz as ferramentas maliciosas, quem oferece os meios e quem comete os crimes, enquanto o lado da defesa fica descoordenado", avalia Luiz Fernando Moraes, diretor de Segurança Cibernética do GSI.

Outro passo visto como fundamental, segundo o gabinete, é investir no letramento digital da população — em outras palavras, a educação e a conscientização constantes para que os brasileiros conheçam as ferramentas tecnológicas e os riscos associados a elas.

"Falar de educação digital, no contexto de um Estado e uma sociedade fortemente digitalizados, é falar de segurança. Os problemas se reinventam a cada segundo, e conseguir que uma criança, adolescente ou idoso entenda as ameaças que existem ao usar uma rede social ou fazer uma compra online também é produzir segurança cibernética", diz Danielle Ayres, diretora de Segurança da Informação do GSI.