Brasil se destaca como early adopter de inteligência artificial no ambiente profissional
Uma pesquisa abrangente realizada pela consultoria PwC em 48 países durante 2025 revelou dados surpreendentes sobre a adoção de inteligência artificial no Brasil. O estudo Global Hopes and Fears 2025, que ouviu quase 50 mil profissionais em todo o mundo, demonstra que os brasileiros estão na vanguarda quando se trata de experimentar novas tecnologias no trabalho.
Números que impressionam: Brasil supera média global
Os resultados mostram que 71% dos profissionais brasileiros utilizaram alguma ferramenta de IA pelo menos uma vez nos últimos doze meses. Este índice é significativamente superior à média global, que ficou em 54%. A diferença de 17 pontos percentuais evidencia o caráter novidadeiro do trabalhador brasileiro, sempre disposto a testar inovações tecnológicas.
Entre aqueles que experimentaram as ferramentas no Brasil, os benefícios percebidos são expressivos:
- 83% relatam melhora na qualidade do trabalho
- 79% afirmam ter ganho de produtividade
Para contextualizar, os números globais nestas categorias são de 75% e 74% respectivamente, indicando que os brasileiros não apenas usam mais, mas também percebem maiores vantagens quando adotam a tecnologia.
Entusiasmo inicial não se traduz em uso rotineiro
Apesar do otimismo inicial, a pesquisa revela um paradoxo interessante. Enquanto os brasileiros se mostram ávidos para experimentar novidades, a incorporação diária dessas ferramentas ainda é limitada. Apenas 26% dos profissionais no Brasil fazem uso diário de IA, embora este número ainda seja quase o dobro da média mundial de 14%.
Quando se trata de agentes de IA - sistemas mais avançados que executam tarefas de forma autônoma - a adoção é ainda mais modesta. Apenas 10% dos brasileiros utilizam esses agentes diariamente, contra 6% no cenário global.
Desafios e oportunidades para as organizações
Este descompasso entre experimentação e adoção contínua aponta para desafios estruturais que as empresas precisam enfrentar. Muitas organizações ainda lidam com questões complexas relacionadas à segurança de dados, integração com sistemas existentes e adequação de procedimentos internos.
Segundo especialistas, essa lacuna representa uma oportunidade significativa para as empresas que conseguirem implementar estratégias eficazes de adoção tecnológica. A diferença entre promessa e realidade prática cria espaço para:
- Aceleração da produtividade organizacional
- Inovação em processos e serviços
- Desenvolvimento de vantagens competitivas sustentáveis
- Qualificação e capacitação das equipes
O fenômeno observado no Brasil segue padrões clássicos de difusão de inovações, teoria desenvolvida pelo sociólogo Everett Rogers nos anos 1960. Os brasileiros se encaixam no perfil de early adopters, aqueles que testam novidades primeiro, mas a transição para adoção massiva ainda está em curso.
Para que o potencial da inteligência artificial seja plenamente realizado no ambiente de trabalho brasileiro, será necessário mais do que simplesmente disponibilizar ferramentas. Estratégias de implementação bem planejadas, treinamento adequado e mudanças culturais serão essenciais para transformar o entusiasmo inicial em ganhos duradouros de produtividade e qualidade.