NASA classifica problemas da Starliner como acidente grave, equivalente ao Challenger
NASA classifica falhas da Starliner como acidente grave

NASA divulga relatório grave sobre missão problemática da Starliner

A NASA apresentou oficialmente nesta quinta-feira, 19, um documento detalhado sobre os sérios problemas ocorridos durante a missão da cápsula Starliner em 2024. O relatório, produzido pela equipe especializada Program Investigation Team (PIT), formada pela agência espacial há aproximadamente um ano, classificou o incidente como "acidente Tipo A" — a categoria mais grave em sua escala de avaliação.

Astronautas presos por nove meses devido a falhas técnicas

Os problemas técnicos identificados na cápsula desenvolvida pela Boeing resultaram em uma situação crítica: os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams ficaram "presos" na Estação Espacial Internacional por um período muito além do planejado. Inicialmente programada para durar apenas dez dias, a missão acabou se estendendo por impressionantes nove meses, obrigando a NASA a utilizar uma cápsula Dragon, da SpaceX, para trazer os dois profissionais de volta à Terra com segurança.

Durante coletiva de imprensa realizada para apresentar as conclusões do relatório, o administrador associado da NASA, Amit Kshatriya, foi enfático ao descrever a gravidade da situação. "Quase tivemos um dia verdadeiramente terrível", afirmou Kshatriya, acrescentando que a missão Starliner representou "um evento realmente desafiador na história recente" da agência espacial norte-americana.

Classificação equivalente ao desastre do Challenger

A designação de "acidente Tipo A" coloca o caso da Starliner no mesmo patamar de gravidade de eventos históricos trágicos, como o desastre do ônibus espacial Challenger em 1986, que resultou na morte dos sete tripulantes da missão. Esta classificação indica falhas sistêmicas que comprometem seriamente a segurança das operações espaciais tripuladas.

O atual administrador da NASA, Jared Isaacman, que também participou da coletiva, garantiu que "as deficiências de design e engenharia serão corrigidas" antes que a Starliner seja considerada para futuras missões. No entanto, Isaacman direcionou críticas mais contundentes para aspectos organizacionais anteriores.

Críticas à cultura organizacional e processos decisórios

"A falha mais preocupante revelada por esta investigação não está relacionada ao hardware", declarou Isaacman. "Está no processo de tomada de decisão e na liderança que, se não forem corrigidos, podem criar uma cultura incompatível com voos espaciais tripulados." O administrador enfatizou que o relatório será tratado com a máxima seriedade e que "haverá responsabilização" pelos erros identificados.

Quanto ao futuro das missões tripuladas, a SpaceX deverá manter sua posição como principal parceira da NASA até que todos os problemas da Starliner sejam completamente resolvidos pela Boeing. Esta decisão reflete a necessidade de garantir máxima segurança para os astronautas em futuras expedições espaciais.

Resposta da Boeing e compromissos de correção

Em resposta ao relatório da NASA, a Boeing divulgou um comunicado oficial no qual afirma que seguirá adiante com as correções necessárias. "Nos 18 meses desde o nosso voo de teste, a Boeing fez progressos substanciais nas ações corretivas para os desafios técnicos que encontramos e promoveu mudanças culturais significativas em toda a equipe", diz o texto.

A empresa acrescentou que o relatório da NASA "reforçará nossos esforços ao longo do tempo para fortalecer nosso trabalho e o de todos os Parceiros do Programa de Tripulação Comercial, em apoio à missão e à segurança da tripulação — que é e sempre será nossa maior prioridade."

O caso da Starliner representa um marco importante na avaliação de segurança das missões espaciais contemporâneas, destacando a complexidade dos voos tripulados e a necessidade de rigorosos protocolos de segurança em todas as etapas do desenvolvimento e operação de veículos espaciais.