Artemis II: NASA identifica falha no fluxo de hélio e adiamento da missão lunar é iminente
Falha no hélio da Artemis II pode adiar missão lunar da NASA

Artemis II: Nova falha técnica ameaça cronograma da missão lunar tripulada

A NASA anunciou neste sábado (21) a identificação de uma interrupção crítica no fluxo de hélio no estágio superior do foguete Space Launch System (SLS), destinado à missão Artemis II. O problema foi detectado no estágio criogênico provisório de propulsão (ICPS), componente essencial para impulsionar a cápsula Orion após a separação do estágio central do foguete.

Impacto imediato no cronograma de lançamento

Segundo comunicado oficial da agência espacial norte-americana, o fluxo adequado de hélio é indispensável para o lançamento, e a falha técnica deve afetar diretamente a janela de lançamento prevista para março de 2024. A observação do defeito ocorreu durante a madrugada, enquanto o foguete e a cápsula Orion permaneciam presos ao lançador móvel no Complexo 39B do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

Equipes técnicas da NASA já iniciaram a análise detalhada dos dados coletados para determinar se o reparo poderá ser realizado na própria plataforma de lançamento ou se será necessário o retorno do veículo ao Vehicle Assembly Building (VAB), o prédio de montagem do centro espacial. Paralelamente, a agência começou a retirar estruturas de acesso instaladas na plataforma devido à previsão de ventos fortes na região, medida preventiva que preserva as opções de manutenção disponíveis.

Segundo revés técnico em poucas semanas

Este episódio representa o segundo contratempo significativo enfrentado pela missão Artemis II em um curto intervalo de tempo. Poucas semanas antes, a NASA já havia adiado o lançamento para março devido à detecção de um vazamento de hidrogênio líquido durante testes de abastecimento que simulavam todas as etapas do lançamento.

Na ocasião anterior, os técnicos também registraram:

  • Falhas intermitentes no áudio de comunicação em solo
  • Tempo superior ao esperado para o fechamento da cápsula Orion

Conforme informações da agência de notícias Reuters, a NASA havia estabelecido o dia 6 de março como data-alvo para o lançamento, mas com esta nova falha técnica, esse cronograma deverá sofrer impacto adicional.

A importância histórica da Artemis II

A Artemis II representa um marco histórico na exploração espacial, sendo a segunda missão do programa Artemis e a primeira tripulada da nova era lunar da NASA. O programa, que recebe o nome da deusa grega Artemis (irmã de Apolo), tem como objetivos principais:

  1. Pousar "a primeira mulher e a primeira pessoa de cor na Lua" ainda nesta década
  2. Estabelecer presença humana duradoura no satélite natural da Terra

Enquanto a primeira missão do programa (Artemis I) ocorreu em novembro de 2022 sem tripulação, a Artemis II levará quatro astronautas para um voo de aproximadamente 10 dias ao redor da Lua, sem realizar pouso na superfície lunar.

Detalhes técnicos da missão planejada

O Space Launch System (SLS) é considerado o foguete mais poderoso já construído pela NASA, com impressionantes 98 metros de altura e capacidade de produzir cerca de 4 milhões de quilos de empuxo. Sua configuração inclui:

  • Dois propulsores laterais de combustível sólido
  • Um estágio central com quatro motores RS-25
  • O estágio superior ICPS (atualmente sob análise devido à falha no fluxo de hélio)

A cápsula Orion, por sua vez, foi projetada especificamente para suportar as condições adversas do espaço profundo. Seu módulo de serviço europeu (ESM), construído pela Agência Espacial Europeia, fornece:

  • Energia elétrica e propulsão
  • Controle térmico
  • Água e gases respiráveis

A tripulação histórica

A composição da tripulação da Artemis II reflete o compromisso da NASA com a diversidade na exploração espacial:

  • Reid Wiseman - Comandante
  • Victor Glover - Piloto (primeiro homem negro em missão lunar)
  • Christina Koch - Especialista de missão (primeira mulher em missão lunar do programa Artemis)
  • Jeremy Hansen - Especialista de missão da Agência Espacial Canadense

Todos os astronautas da NASA na missão são veteranos da Estação Espacial Internacional, enquanto Jeremy Hansen realizará seu primeiro voo espacial. Durante a missão, a cápsula Orion deverá alcançar cerca de 7.500 quilômetros além do lado oculto da Lua, ultrapassando a distância já percorrida por humanos no espaço profundo desde a missão Apollo 13, em 1970.

O plano de voo prevê que, após a decolagem do Complexo 39B, a Orion e seu estágio superior permaneçam em órbita terrestre por aproximadamente um dia para checagens de sistemas. Em seguida, seguirão rumo à Lua, onde a tripulação ficará sem comunicação com a Terra por 30 a 50 minutos durante a passagem pelo lado oculto do satélite. O retorno utilizará a trajetória de retorno livre, aproveitando a gravidade para conduzir a cápsula de volta à Terra, com pouso programado no Oceano Pacífico.