Radar na BR-116 em Teresópolis provoca desvio arriscado por vias laterais sem redutores
A instalação de um radar na BR-116, na altura do km 68 no bairro Pessegueiros, Segundo Distrito de Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, tem gerado uma situação de risco inesperada. Motoristas, buscando evitar o limite de velocidade de 40 km/h imposto pelo novo equipamento, estão utilizando as vias laterais do bairro como atalhos perigosos.
Essa prática aumenta significativamente o perigo de acidentes, pois essas pistas, destinadas ao acesso local, não possuem redutores de velocidade desde uma obra de recapeamento realizada anteriormente. O radar, que era uma antiga reivindicação da comunidade para controlar o tráfego intenso no trecho, acabou criando um novo problema com a retirada dos tachões durante a obra, permitindo que os condutores encontrassem rotas alternativas aceleradas.
Reclamações da comunidade e responsabilidades
A Associação de Moradores de Pessegueiros já solicitou à concessionária Ecovias Rio Minas a instalação de novos redutores de velocidade nas vias laterais, mas até o momento não há previsão para a execução desse serviço. Michael Reis, presidente da associação, expressou sua preocupação: "A gente sempre teve muitos acidentes, alguns fatais, e depois de muita luta conseguimos a instalação desse radar. Mas agora os motoristas estão vindo pelas pistas laterais acelerados. Eles recapearam a pista e não recolocaram os redutores".
O policial rodoviário federal Thiago Arruda esclareceu as responsabilidades: a fiscalização das infrações de trânsito, inclusive nas pistas laterais, cabe à Polícia Rodoviária Federal (PRF), mas a infraestrutura para garantir a segurança da via é dever da Ecovias Rio Minas e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Posicionamento da concessionária
Em resposta ao g1, a Ecovias Rio Minas afirmou, por meio de nota, que realiza monitoramento contínuo das condições de tráfego e que, diante das informações apresentadas, poderá avaliar, em conjunto com os órgãos competentes, a adoção de medidas complementares para a segurança viária no trecho. No entanto, a empresa não forneceu um prazo para a instalação dos novos redutores nas pistas laterais, deixando a comunidade em alerta.
A situação destaca um dilema comum em intervenções de trânsito: a solução para um problema pode inadvertidamente criar outros. Enquanto o radar busca reduzir a velocidade na via principal, a falta de infraestrutura adequada nas vias secundárias está incentivando comportamentos de risco, mantendo a ameaça de acidentes na área.