Estrutura colossal de ferro é achada na Nebulosa do Anel após 100 anos
Misteriosa barra de ferro é descoberta em nebulosa

Uma descoberta astronômica surpreendente está desafiando o que os cientistas sabiam sobre o fim da vida das estrelas. Pesquisadores identificaram uma misteriosa e gigantesca estrutura composta por ferro altamente ionizado no interior da Nebulosa do Anel, um dos objetos celestes mais famosos e estudados do céu.

Uma faixa luminosa onde não deveria existir

A revelação foi feita por uma equipe liderada pela University College London (UCL) e publicada na renomada revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. A observação foi possível graças a um novo instrumento acoplado ao telescópio William Herschel, localizado nas Ilhas Canárias.

A estrutura tem um formato alongado, semelhante a uma barra ou faixa luminosa, e atravessa precisamente a região central da nebulosa, ficando contida dentro de seu anel interno mais brilhante. O mais intrigante é que, apesar da Nebulosa do Anel ser observada há mais de dois séculos e até mesmo examinada pelo poderoso James Webb, essa componente específica nunca havia sido detectada antes.

Dimensões e massa de um gigante cósmico

As proporções da descoberta são verdadeiramente astronômicas. A barra de ferro se estende por cerca de 50 segundos de arco no céu. Em distâncias mais tangíveis, isso corresponde a aproximadamente 95 mil unidades astronômicas.

Para se ter uma ideia da magnitude, essa extensão é cerca de 500 vezes maior do que toda a órbita de Plutão ao redor do Sol. Em termos de massa, os cientistas estimam que o ferro presente nessa estrutura equivale a 0,14 vezes a massa da Terra, um valor comparável à massa do planeta Marte.

O que é a Nebulosa do Anel e por que a descoberta é um mistério?

A Nebulosa do Anel, também catalogada como Messier 57 ou NGC 6720, está localizada na constelação de Lira, a cerca de 2.600 anos-luz da Terra. Ela é um exemplo clássico de nebulosa planetária – um nome histórico que não tem relação com planetas, mas sim com a fase final de estrelas como o nosso Sol.

Quando essas estrelas esgotam seu combustível nuclear, elas expelem suas camadas externas, formando uma espetacular concha de gás brilhante ao redor de um núcleo remanescente, uma anã branca. Por sua proximidade e orientação favorável, a Nebulosa do Anel sempre foi um objeto de referência para estudar esse processo.

No entanto, a origem da barra de ferro encontrada agora não se encaixa nas explicações convencionais. Normalmente, o material é ejetado em jatos bipolares opostos, mas as medições mostram que essa estrutura não está se afastando da estrela central dessa maneira.

Os pesquisadores investigaram várias hipóteses:

  • Destruição de poeira: A ideia de que o ferro veio da fragmentação de grãos de poeira dentro da nebulosa foi descartada, pois exigiria colisões extremamente violentas ou temperaturas altíssimas, sem evidências de raios X que acompanhariam tal processo.
  • Destruição planetária: Uma hipótese fascinante sugere que a barra poderia ser o remanescente de um planeta rochoso que orbitava a estrela e foi destruído quando ela começou a se expandir no fim de sua vida. Contudo, os dados atuais ainda são insuficientes para confirmar esse cenário dramático.

A descoberta, anunciada em 19 de janeiro de 2026, abre um novo e intrigante capítulo no estudo da morte estelar. A presença dessa imensa estrutura de ferro, até então invisível, mostra que mesmo os objetos celestes mais familiares ainda guardam segredos profundos, desafiando os astrônomos a repensarem os mecanismos complexos que moldam o universo no seu estágio final.