Vacina do Butantan mantém proteção contra dengue grave por cinco anos, revela estudo
Vacina do Butantan protege contra dengue grave por 5 anos

Vacina do Butantan demonstra proteção duradoura contra formas graves da dengue

A vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, conhecida como Butantan-DV, mostrou manter uma proteção significativa contra as formas mais graves da doença por um período mínimo de cinco anos. Esta conclusão surge de um ensaio clínico abrangente, cujos resultados foram publicados na prestigiada revista científica Nature Medicine. A pesquisa representa um marco importante no combate a uma doença que afeta milhões de brasileiros anualmente.

Eficácia robusta e proteção prolongada

De acordo com os dados do estudo, a vacina apresentou uma eficácia geral de 65% ao longo do período de acompanhamento. No entanto, o dado mais impressionante refere-se à proteção contra os quadros graves da dengue, que atingiu uma taxa estimada de 80,5%. Este desempenho robusto levou os pesquisadores a concluírem que não há necessidade de uma dose de reforço dentro deste intervalo de cinco anos, simplificando potenciais esquemas vacinais futuros.

Para contextualizar estes números, imagine um cenário onde 100 pessoas não vacinadas desenvolvem dengue. Entre os imunizados com a Butantan-DV, esse número cairia para aproximadamente 35 casos. Quando se trata especificamente de formas graves, se 100 indivíduos não vacinados evoluíssem para quadros severos, entre os vacinados seriam esperados apenas cerca de 20 casos. Durante todo o acompanhamento do estudo, que incluiu cerca de 10 mil participantes vacinados, nenhum desenvolveu dengue grave, e apenas seis apresentaram sinais de alarme que indicam maior risco de evolução da doença.

Desempenho em diferentes grupos populacionais

O ensaio clínico, realizado no Brasil entre 2016 e 2019, envolveu 16.235 voluntários com idades entre dois e 59 anos. Os pesquisadores realizaram análises detalhadas para compreender como a vacina atua em diferentes segmentos da população. Um dos achados mais relevantes foi a diferença de eficácia entre pessoas com e sem histórico prévio de dengue.

  • Entre indivíduos que já haviam sido infectados pelo vírus, a eficácia da vacina atingiu 77,1%.
  • Para participantes sem infecção anterior, a taxa de proteção foi de 58,9%.

Outro aspecto crucial avaliado foi a segurança em pessoas soronegativas, ou seja, que nunca tiveram contato com o vírus. Diferentemente de algumas vacinas contra dengue já disponíveis, o estudo não identificou aumento do risco de quadros graves neste grupo ao longo dos cinco anos de monitoramento, um dado que reforça o perfil de segurança do imunizante.

Proteção contra diferentes sorotipos do vírus

A dengue é causada por quatro sorotipos distintos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). A pesquisa também analisou a eficácia da Butantan-DV contra cada uma dessas variantes:

  1. Contra o sorotipo DENV-1, a proteção estimada foi de 73%.
  2. Contra o DENV-2, a eficácia foi de 55,7%.

Estes dois sorotipes estão entre os mais associados a surtos da doença no território nacional. Durante o período de monitoramento dos voluntários, não foram registrados casos de infecção pelos sorotipos DENV-3 e DENV-4 entre os participantes, o que impossibilitou a estimativa da eficácia do imunizante contra estas variantes no longo prazo. Mais estudos serão necessários para avaliar a proteção completa contra todos os sorotipos.

Implementação em campanha piloto de vacinação

Paralelamente aos avanços científicos, o Ministério da Saúde já iniciou a aplicação da vacina em caráter piloto. A campanha foi lançada em janeiro nas cidades de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), com a ambiciosa meta de imunizar cerca de 90% da população elegível nestes municípios. Em fevereiro, o ministério também deu início à vacinação de profissionais da Atenção Básica em um evento simbólico realizado no próprio Instituto Butantan.

Nesta fase inicial, o imunizante está sendo oferecido para pessoas na faixa etária entre 15 e 59 anos. Esta iniciativa representa um passo concreto na transformação dos resultados da pesquisa em benefício direto para a saúde pública brasileira, oferecendo uma nova e poderosa ferramenta no combate à dengue, uma doença endêmica e de grande impacto social no país.