O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a utilizar um chapéu em suas aparições públicas por orientação médica. O acessório foi visto durante o lançamento do programa Desenrola 2.0, na segunda-feira (3), e também no pronunciamento pelo Dia do Trabalhador, transmitido em cadeia nacional de rádio e TV na última sexta-feira (1º). O modelo escolhido pelo presidente é um chapéu Panamá da marca Sarquis by ABA.
Recomendação médica após cirurgia
A recomendação para o uso do chapéu decorre da retirada de uma lesão de câncer de pele no couro cabeludo. O procedimento foi realizado no dia 24 de abril e deve levar cerca de um mês para cicatrização completa. Por isso, o cardiologista Roberto Kalil Filho, médico do presidente, orientou que ele protegesse a área com curativos e chapéu. A dermatologista Cristina Abdala, responsável pela retirada da lesão, explicou que se tratava de um carcinoma basocelular, o tipo mais comum de câncer de pele, causado pela exposição crônica ao sol.
“É uma lesão localizada, não espalha para nenhum lugar. O máximo que pode acontecer é ficarem aparecendo pequenas feridas. Ele já estava acompanhando havia algum tempo. Resolveu tirar. Isso não implica mau prognóstico. É acompanhamento”, afirmou a médica.
Histórico de uso do chapéu
Esta não é a primeira vez que Lula precisa usar chapéu durante compromissos públicos. Em outubro de 2024, após passar por uma cirurgia na cabeça devido a uma queda no banheiro do Palácio do Planalto, o presidente apareceu usando o chapéu Panamá. Em dezembro daquele ano, depois de uma segunda cirurgia de emergência para drenar um hematoma causado pela mesma queda, ele voltou a usar o mesmo modelo.
Aliados e figuras históricas
Aliado de Lula, Eduardo Paes (PSD), ex-prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato a governador, costuma usar chapéu Panamá em algumas ocasiões, como no carnaval. Na eleição municipal de 2020, a peça foi incorporada por seus apoiadores como símbolo da campanha após críticas do adversário Marcelo Crivella (Republicanos) ao que chamou de “chapeuzinho de Zé Pelintra”. O ex-presidente Getúlio Vargas, o aeronauta Santos Dumont e o cantor Tom Jobim também ajudaram a dar fama a esse tipo de chapéu.
Origem e popularidade do chapéu Panamá
Apesar do nome Panamá, o chapéu surgiu no Equador, fabricado por povos indígenas usando fibras da palha toquilla. Ele ganhou o nome do país da América Central por causa dos trabalhadores que construíram o Canal do Panamá. Esses trabalhadores usavam o objeto na obra, que começou em 1881 com a França e terminou em 1914, dez anos após os EUA assumirem a construção. Os trabalhadores que iam ao Panamá e depois voltavam para a Europa contribuíram para a fama global do modelo. Em 1906, o então presidente americano Theodore Roosevelt também foi fotografado com o “Panama hat” durante visita às obras do canal.
Na era de ouro de Hollywood, nos anos 1940, estrelas como Humphrey Bogart em “Casablanca” popularizaram ainda mais o chapéu Panamá. A professora Jo Souza, doutora em semiótica e professora de Negócios da Moda da Universidade Belas Artes, de São Paulo, explica que o modelo transmite a ideia de um “luxo descontraído”. “Ele se torna popular porque a fibra é leve, ideal para climas tropicais, e tem uma elegância sofisticada. No caso do presidente Lula, acho que ele usa por conta do fortalecimento dessa moda do sul global latino. Um símbolo não oficial com a conexão do popular”, diz a especialista.



