Juiz de Fora registra primeira morte por hepatite A em 2026 e ultrapassa 800 casos
Primeira morte por hepatite A em Juiz de Fora em 2026

Juiz de Fora confirmou a primeira morte por hepatite A em 2026. A vítima é a cuidadora de idosos Ângela Cristina Terra Pinto, de 60 anos, moradora do bairro Santa Luzia. Segundo a filha, Thaís Terra, a mãe contraiu o vírus ao ajudar uma amiga após o temporal histórico que atingiu a cidade em fevereiro.

O contágio durante a enchente

No dia 24 de fevereiro, Ângela saiu de casa para auxiliar uma amiga cuja residência estava alagada. "Minha mãe morava em Santa Luzia e o bairro sempre alaga. Quando a água abaixava, ela já saía correndo para ajudar todo mundo. Ela pensava muito mais no próximo do que nela mesma", relembrou Thaís. A filha acredita que a mãe tenha ajudado na limpeza da casa, o que a expôs à lama contaminada.

Sintomas e evolução rápida

Os primeiros sintomas surgiram em 23 de abril, cerca de 60 dias após o contato com a lama, período compatível com a incubação do vírus (15 a 50 dias). Ângela foi internada na UPA Santa Luzia em 27 de abril com vômitos e piora rápida. No dia seguinte, foi transferida para o Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ) com agravamento renal e neurológico. Ela morreu na madrugada de 30 de abril por falência hepática e sepse.

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Cenário epidemiológico em Juiz de Fora

Até o fim de abril, a cidade confirmou 808 casos de hepatite A, o que representa mais de 70% dos registros de Minas Gerais em 2026. O número supera o total acumulado nos últimos 10 anos. Os casos estão distribuídos por todas as regiões, com maior concentração no Centro e na Zona Sul.

Investigação e medidas da prefeitura

A Prefeitura de Juiz de Fora informou que o óbito segue em investigação epidemiológica. Em nota, destacou que "a análise laboratorial é apenas uma das etapas da investigação de óbito, que também considera quadro clínico, antecedentes epidemiológicos, fatores de risco e outras informações necessárias para determinar a causalidade". A prefeitura mantém o monitoramento dos casos e aponta queda média de 32% entre as cinco últimas semanas epidemiológicas, indicando tendência de redução. Reitera que Juiz de Fora não vive um cenário de surto.

Alerta à população

A hepatite A é transmitida por via fecal-oral, principalmente por água e alimentos contaminados. A vacinação é a principal forma de prevenção, disponível no SUS para crianças de 15 meses a 5 anos e grupos prioritários. A população deve redobrar os cuidados em áreas alagadas, evitando contato com água e lama de enchentes.

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