Pacientes denunciam falta de serviços e condições degradantes na Casa Dia em Belém
Pacientes denunciam falta de serviços na Casa Dia em Belém

Pacientes atendidos na Casa Dia, unidade de referência no tratamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), incluindo HIV/AIDS, em Belém, denunciam condições degradantes que comprometem a assistência e a dignidade no atendimento. O Ministério Público do Pará (MPPA) constatou uma piora progressiva desde 2019, com visitas técnicas revelando insalubridade extrema, falta de alvará sanitário e riscos à saúde dos usuários.

Problemas estruturais e insalubridade

Os problemas visíveis começam na entrada da unidade, com lixo acumulado na calçada em frente ao prédio. Internamente, o posto de enfermagem e a sala de coleta de exames operam em espaços improvisados, enquanto a porta da farmácia está quebrada e as enfermarias permanecem desativadas. Pacientes relatam mau cheiro constante e insegurança. “É sujo, inseguro... a pessoa não é tratada como ser humano”, desabafa um usuário que frequenta o local há 13 anos.

A ONG Arte pela Vida, que apoia pessoas com HIV na região metropolitana, critica a superlotação. “A Casa Dia é pequena para a quantidade de pessoas... o espaço já não está legal”, afirma a coordenadora Amélia Garcia. A promotora de Justiça de Saúde Fabia Fournier destaca infiltrações, problemas elétricos que afetam até insumos de vacinação, e insalubridade forte no prédio.

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Decisão judicial e plano de recuperação

Um laudo técnico confirmou que a unidade não tem condições sanitárias adequadas, colocando pacientes em risco. A Justiça determinou que a Prefeitura de Belém apresente em até 60 dias um plano detalhado de recuperação, com cronograma e limite de R$ 100 mil, sob pena de medidas mais duras. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) disse que o prazo só valerá após intimação oficial, se não houver recurso, e já estuda possível mudança de localização, mas o MPPA cobra cumprimento efetivo.

Para quem depende do tratamento contínuo, a falta de estrutura significa mais que desconforto: é ausência de dignidade em um serviço essencial.

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