Negligência médica no parto resulta em tragédia familiar no Piauí
Uma trágica história de negligência médica durante o parto culminou na morte de uma mãe e seu bebê no interior do Piauí, levando à indicação de três profissionais de saúde por homicídio culposo. O caso, que chocou a comunidade local, envolve a morte de Daiane Barbosa, de 34 anos, e de seu filho Vicente Barbosa, com apenas três meses de vida.
Indiciamentos e investigações detalhadas
Os indiciados são um médico plantonista, um médico obstetra e um técnico do Hospital João Pacheco Cavalcante, localizado em Corrente (PI). Eles foram apontados pela Divisão Especializada no Atendimento à Mulher e aos Grupos Vulneráveis (Deamgv) da Delegacia de Corrente, após uma minuciosa investigação que incluiu a coleta de depoimentos e a análise de prontuários médicos.
Segundo a Deamgv, surgiram indícios de possível falha na prestação do atendimento médico, especialmente quanto à alegada omissão de conduta adequada ou ausência de resposta tempestiva da equipe de plantão diante de sinais clínicos de agravamento do quadro gestacional apresentado pela paciente.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Piauí, que agora terá a responsabilidade de analisar o material e decidir se oferece denúncia à Justiça. O crime de homicídio culposo, conforme definido pela legislação, ocorre quando alguém causa a morte de outra pessoa sem intenção, mas por negligência, imprudência ou imperícia.
Linha do tempo do caso: da gestação ao desfecho fatal
De acordo com relatos da família, Daiane Barbosa começou a perder líquido por volta do meio-dia do dia 3 de julho de 2025. Ela procurou atendimento no Hospital de Corrente, mas foi orientada a retornar para casa por não sentir dores intensas. No entanto, às 15h do mesmo dia, ela voltou ao hospital apresentando contrações e iniciou o trabalho de parto.
A morte de Daiane foi declarada às 0h25 do dia 4 de julho, conforme informado por Zenaide Oliveira, avó do bebê Vicente. O laudo da morte apontou como causas o parto prolongado, choque hipotérmico e hemorragia pós-parto. Zenaide relatou que, apesar de Daiane ter realizado todos os exames pré-natais e estar com a gestação dentro do prazo, o parto demorou excessivamente, com tentativas de parto normal seguidas de uma cesárea realizada tardiamente, resultando em uma hemorragia severa.
O filho de Daiane, Vicente Barbosa, nasceu em estado grave, com ferimentos na cabeça e sangue no pulmão. Ele enfrentou complicações como convulsões e parada cardíaca, permanecendo internado até falecer em 20 de outubro de 2025, no Hospital Regional Tibério Nunes, em Floriano (PI).
Posicionamento das autoridades e impactos na saúde pública
A Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi), responsável pela administração dos dois hospitais envolvidos, emitiu uma nota afirmando que a equipe médica prestou toda a assistência necessária durante o atendimento. No entanto, a família mantém a denúncia de negligência, destacando falhas no monitoramento e na resposta aos sinais de agravamento do quadro clínico de Daiane.
Este caso levanta questões importantes sobre a qualidade do atendimento obstétrico em hospitais públicos, especialmente em regiões interioranas, e reforça a necessidade de maior fiscalização e capacitação das equipes de saúde. A tragédia serve como um alerta para a importância de protocolos rigorosos e respostas ágeis em situações de emergência médica durante o parto.
Enquanto aguarda a decisão do Ministério Público, a família de Daiane e Vicente busca justiça e espera que o caso incentive melhorias no sistema de saúde, prevenindo futuras ocorrências similares. A comunidade local permanece mobilizada, exigindo transparência e responsabilização pelos fatos ocorridos.



