Lula sanciona lei que autoriza venda de remédios em supermercados com regras específicas
Lei permite venda de remédios em supermercados com farmacêutico obrigatório

Nova legislação amplia pontos de venda de medicamentos no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, a lei que autoriza a venda de medicamentos em supermercados em todo o território nacional. A medida, que já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e recebido apoio da Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), foi publicada no Diário Oficial da União e representa uma mudança significativa no acesso a produtos farmacêuticos.

Regras rigorosas para implementação

A nova legislação estabelece condições específicas para que os supermercados possam comercializar medicamentos. A presença contínua de farmacêuticos habilitados será obrigatória durante todo o funcionamento dos estabelecimentos que optarem por oferecer esse serviço. Além disso, o espaço dedicado aos remédios deverá estar completamente segregado das demais áreas do supermercado, criando um ambiente físico delimitado e exclusivo para atividades farmacêuticas.

O texto legal detalha exigências técnicas rigorosas que devem ser observadas, incluindo dimensionamento físico adequado, estrutura de consultórios farmacêuticos, controle de temperatura, ventilação, iluminação, umidade, rastreabilidade e condições específicas para recebimento, armazenamento e dispensação dos medicamentos.

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Controle especial para medicamentos específicos

Para medicamentos com controle especial, como aqueles que exigem retenção de receita médica, a lei estabelece procedimentos adicionais de segurança. A dispensação desses fármacos só poderá ocorrer após o pagamento, e os produtos devem ser transportados do balcão de atendimento ao caixa em embalagens lacradas, invioláveis e claramente identificáveis.

Essas medidas buscam responder às preocupações levantadas por especialistas durante a discussão da proposta, que alertavam sobre os riscos de automedicação inadequada e condições de armazenamento que poderiam comprometer a eficácia dos princípios ativos dos medicamentos.

Ampliação do acesso em áreas remotas

Um dos principais argumentos para a aprovação da lei, conforme destacado pelo relator da proposta, deputado Zacharias Calil (União-GO), é a carência de farmácias em diversas localidades do país, especialmente em municípios pequenos e regiões remotas. Os supermercados, com sua maior capilaridade e presença em diferentes regiões, poderiam suprir essa lacuna no atendimento à população.

"A lei pode ampliar de forma relevante o acesso a medicamentos", comenta Victor Avallone, sócio do escritório de advocacia TozziniFreire nas áreas de Ciências da Vida e Saúde e Indústria Farmacêutica. "O potencial de ganho em conveniência, capilaridade e concorrência é evidente, sobretudo em localidades menos atendidas", completa o especialista.

Implementação sem vetos presidenciais

A sanção presidencial ocorreu sem a imposição de vetos, mantendo integralmente a proposta aprovada pelo Congresso Nacional. A medida representa um equilíbrio entre a ampliação do acesso aos medicamentos e a manutenção dos rigorosos padrões sanitários necessários para garantir a segurança e eficácia dos produtos farmacêuticos disponíveis à população brasileira.

A implementação da nova legislação deverá seguir as exigências legais, sanitárias e técnicas aplicáveis ao setor farmacêutico, garantindo que a expansão dos pontos de venda não comprometa a qualidade do atendimento e a segurança dos consumidores.

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