Jovem paraibana retorna ao lar após 11 anos de internação hospitalar em João Pessoa
Jovem volta para casa após 11 anos internada na Paraíba

Jovem paraibana retorna ao lar após 11 anos de internação hospitalar em João Pessoa

Natanielly Ferreira, uma jovem paraibana de 21 anos, finalmente voltou para casa após passar onze anos internada no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), em João Pessoa. A alta, concedida em 5 de fevereiro de 2026, marcou o fim de um período que começou ainda na infância, quando ela enfrentou um quadro grave de pneumonia. Agora, Nat, como gosta de ser chamada, inicia uma nova rotina ao lado da família em Pilõezinhos, no interior da Paraíba, deixando para trás os corredores do hospital que foram seu lar por mais de uma década.

Emoção e adaptação no primeiro dia em casa

A emoção foi intensa ao chegar ao novo lar, onde o passado se encontrou com o presente de forma inesperada. A primeira imagem que Nat viu não foi a casa inteira, mas sim sua prima, uma pessoa que já fazia parte de suas lembranças desde antes de nascer. "Antes de ficar doente, eu lembro de quando minha madrinha estava grávida da minha prima. Eu era pequena e pedia muito para brincar com ela. Quando a vi, fiquei feliz! Chorei de alegria. Hoje, minha prima me arruma, me maquia e conversa comigo", relatou Nat, emocionada.

Ela destacou que até momentos simples, como tomar banho no banheiro de casa, ganharam um peso extraordinário. "Algo muito pequeno, mas que me deixou tão feliz", resumiu. A convivência familiar agora preenche um espaço que, por anos, foi ocupado pelos corredores do hospital. Nat vive atualmente com o tio, a madrinha e os primos, que a apoiam há oito anos, desde que seu pai sofreu um acidente de moto em Guarabira.

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Superação e promessas durante a internação

Nat tinha apenas 10 anos quando foi internada no HULW, e sua rotina incluía acordar cedo, receber ajuda para o banho, trocar de roupa e fazer pequenos passeios. Católica, ela valorizava as missas de sábado, que "faziam muito bem". Durante esse tempo, ela também estudou, concluiu o ensino fundamental, seguiu no ensino médio e fez o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) em 2025, sonhando em cursar Direito no futuro.

A força para seguir em frente veio de uma promessa feita na infância. "Não desisti, porque quando eu era pequena, prometi ao meu irmão, quando ele tinha quatro anos, que eu ia voltar. Ainda não consegui encontrá-lo, mas quando contei que estava voltando, disse para ele: 'me espera, viu?'. Ele enlouqueceu. Ficou mais feliz do que eu", contou.

Sonhos realizados e apoio médico

Antes da alta, Nat já havia vivido um ensaio da vida fora do hospital ao comemorar seu aniversário de 21 anos na Priscylla's Hall, em João Pessoa, uma festa organizada por residentes multiprofissionais do hospital. Fã declarada de Luan Santana, ela fez questão de ouvir suas músicas favoritas. "Eu gostei de tudo. Tudo estava maravilhoso. Tinha que ter músicas do Luan Santana, sou muito fã dele", disse.

Segundo a médica Ana Flávia, que acompanhou Nat por cinco anos, a internação começou após uma pneumonia que se agravou devido a um quadro neuromuscular não diagnosticado. Exames genéticos posteriormente identificaram uma distrofia neuromuscular rara por deficiência de Lama 2. A equipe médica avaliava que o ambiente hospitalar não era mais adequado, mas a mudança só foi possível com a oferta de home care pelo Estado. "Ela tem excessivas limitações físicas. Na verdade, só move, muito pouco, as duas mãos. Entretanto, tem o cognitivo absolutamente preservado, é absurdamente dedicada e tem muita vontade de viver", destacou Ana Flávia.

O vínculo criado ao longo dos anos ultrapassou a relação profissional, com a equipe de saúde se tornando como uma família para Nat. "Nós, como muito mais que equipe de saúde, e sim como sua família, sempre nos esforçamos para proporcionar o que podíamos para ela", relatou a médica. Agora, com a alta, Nat inicia uma nova fase, repleta de esperança e apoio familiar, mostrando que a vontade de viver pode superar até os desafios mais difíceis.

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