Importação de cannabis medicinal atinge recorde histórico no Brasil em 2025
A importação individual de produtos à base de cannabis estabeleceu um novo marco no Brasil durante o ano de 2025, com um total impressionante de 194.682 autorizações concedidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Este número representa um crescimento significativo de 16,3% em relação ao ano anterior, consolidando-se como o maior volume registrado desde o início da série histórica. A modalidade burocrática de importação, que exige autorização prévia e depende de envio internacional, continua em expansão mesmo com a disponibilidade de produtos em farmácias brasileiras desde 2019.
Dados revelam consolidação do mercado medicinal
O levantamento foi realizado pela Cannect, empresa especializada em tratamentos com cannabis medicinal, suplementos e terapias integrativas, com base em informações obtidas via Lei de Acesso à Informação junto ao governo federal. O pico mensal ocorreu em outubro de 2025, quando a Anvisa emitiu 19.710 autorizações para importação. Para efeito de comparação, em 2015 – ano em que a agência reguladora passou a permitir a importação excepcional para uso pessoal mediante prescrição médica – foram concedidas apenas 850 permissões, evidenciando uma transformação radical no cenário nacional.
Fatores que impulsionam o crescimento expressivo
Vários elementos explicam este crescimento expressivo na importação de produtos à base de cannabis. Em primeiro lugar, observa-se uma redução significativa do estigma em torno da cannabis medicinal. O canabidiol (CBD), principal composto terapêutico derivado da planta, passou a ser reconhecido como terapia adjuvante eficaz para sintomas associados a diversas condições médicas, incluindo:
- Epilepsia refratária
- Dor crônica
- Esclerose múltipla
- Transtornos do espectro autista
- Outras condições neurológicas e inflamatórias
Limitações da oferta nacional e busca por formulações complexas
Além da redução do estigma, o avanço da importação reflete limitações estruturais da oferta no mercado nacional. "Há uma busca constante dos profissionais prescritores por formulações mais complexas, como produtos broad spectrum e full spectrum, que ainda são pouco disponíveis no Brasil", afirma Allan Paiotti, CEO da Cannect. Também existe uma demanda crescente por compostos derivados de outros canabinoides além do CBD, incluindo:
- CBG (canabigerol)
- CBN (canabinol)
- THCV (tetrahidrocanabivarina)
Em muitos casos, médicos associam diferentes compostos da planta para obter respostas terapêuticas mais individualizadas e eficazes para seus pacientes.
Fator econômico e perspectivas futuras
Outro aspecto crucial que influencia esta tendência é o fator econômico. Em geral, os produtos importados apresentam preços mais acessíveis do que aqueles adquiridos nas farmácias regulares brasileiras, um quesito que sempre pesa na decisão e no orçamento do consumidor. Esta vantagem financeira, combinada com a maior variedade de formulações disponíveis internacionalmente, tem consolidado a importação individual como uma opção viável para milhares de pacientes brasileiros que buscam tratamentos alternativos e eficazes.
A expansão contínua deste mercado sugere que, apesar dos avanços regulatórios nacionais, ainda existem desafios significativos na oferta de produtos de cannabis medicinal no Brasil. A demanda por tratamentos personalizados e acessíveis continua a impulsionar a busca por alternativas internacionais, indicando que o setor de saúde brasileiro precisa evoluir para atender adequadamente às necessidades terapêuticas da população.