Nesta quinta-feira, 12 de janeiro, Bangladesh, um dos países mais populosos da Ásia, realizou eleições nacionais históricas para escolher um novo governo. O pleito marca um momento crucial após quase dois anos desde que manifestações massivas derrubaram um regime autoritário que durou 15 anos no poder.
Contexto de crise e mudança política
Em 2024, uma onda de protestos liderada por jovens da geração Z resultou na queda do governo da primeira-ministra Sheikh Hasina, acusada de uma guinada autoritária durante seu longo mandato. Os protestos foram violentos, com aproximadamente 1,4 mil manifestantes mortos, criando um clima de instabilidade que afetou profundamente a economia do país, que é o segundo maior exportador de vestuário do mundo.
Após sua queda, Sheikh Hasina fugiu para a Índia, e em 2025, a Justiça de Bangladesh a condenou à pena de morte por crimes contra a humanidade. No entanto, o país vizinho não demonstrou disposição para extraditá-la, adicionando uma camada de complexidade às relações internacionais da região.
Detalhes das eleições e participação recorde
Com sonhos de estabilidade, os eleitores de Bangladesh voltaram às urnas nesta eleição, a primeira desde os protestos de 2024. Estavam registrados cerca de 128 milhões de eleitores, demonstrando um engajamento significativo da população. Pelo menos 50 partidos concorreram às eleições, um número recorde que reflete a diversidade política emergente no país. O partido de Hasina foi banido da disputa, enquanto o Partido Nacionalista de Bangladesh, que fazia oposição a ela, garantiu a maioria das 300 cadeiras do Parlamento.
Clima de festa e esperança
Uma eleitora descreveu o clima durante as eleições como de festa, simbolizando a esperança renovada dos cidadãos por um futuro mais democrático e estável. Em paralelo às eleições parlamentares, os eleitores também participaram de um referendo sobre reformas constitucionais importantes.
Reformas constitucionais em votação
O referendo incluiu propostas como o aumento da representação feminina no governo, o fortalecimento da independência do Judiciário e a imposição de um limite de dois mandatos para o cargo de primeiro-ministro. Essas medidas visam prevenir a concentração de poder e promover uma governança mais equilibrada e transparente.
Chamado por direitos básicos e liberdade
Especialistas independentes das Nações Unidas destacaram que, para que a democracia prospere em Bangladesh, o novo governo precisa garantir direitos básicos de liberdade, como liberdade de expressão e associação. A eleitora Kamrunahar ecoou esse sentimento, afirmando: "Queremos viver felizes, em liberdade, em segurança. Só isso", resumindo os anseios de muitos cidadãos.
Esta eleição representa um marco na história política de Bangladesh, com o potencial de redefinir o futuro do país após anos de autoritarismo e conflito. A alta participação e o recorde de partidos concorrentes sugerem um desejo coletivo por mudança e uma democracia mais inclusiva.