Indígenas do povo Jaminawa, que vivem na terra indígena Cabeceira do Rio Acre, em Assis Brasil, no interior do Acre, denunciam a grave falta de assistência médica nas aldeias. Mais de 370 pessoas residem no território, e a precariedade no acesso à saúde tem resultado em mortes que poderiam ser evitadas.
Dificuldades de acesso
Segundo o cacique Santos Raimundo Batista Jaminawa, os moradores precisam viajar até cinco horas de barco para conseguir atendimento médico no município de Assis Brasil. A ausência de equipes de saúde próximas às aldeias agrava a situação, especialmente durante a estiagem, quando o nível baixo dos rios dificulta ainda mais a navegação.
“O estado não dá nada. Nem remédio, nem atendimento. Até quando a equipe vem por aqui, é raro. Está de jeito que, se alguém adoecer, a gente já começa a se preparar para o pior”, afirma o cacique. Ele relata que o deslocamento é feito em embarcações próprias e que, em emergências noturnas, não há o que fazer.
Visitas esporádicas e falta de medicamentos
As equipes de saúde indígena visitam as aldeias de forma esporádica, geralmente apenas quando há cobrança da comunidade. Não há presença fixa de médicos nem atendimento regular. “Dizem que tem médico, tem equipe, mas aqui não chega nada. No papel está tudo certo, mas na prática não existe. Nós temos os nossos direitos e não vamos deixar eles continuarem nos matando”, enfatiza o cacique.
Além da falta de profissionais, não há medicamentos básicos nas aldeias. “Não deixam remédio nenhum para os indígenas. Aqui na aldeia a gente vive só na bênção mesmo”, destaca.
Mortes e casos graves
Somente no último ano, ao menos quatro pessoas morreram na região por falta de atendimento adequado. Em 2026, já foram registradas novas mortes, incluindo crianças e idosos. O cacique também relatou o caso de sua própria filha, que enfrentou complicações durante a gravidez. Ela precisou ser transportada de madrugada até Assis Brasil, já em estado grave, e enfrentou demora no atendimento e ausência de suporte adequado. Posteriormente, foi levada para Rio Branco, onde passou por cirurgia em estado crítico.
“Ela quase morreu. Foi uma situação muito difícil. Se tivesse atendimento na aldeia, não precisava passar por isso tudo. Eu quase fiquei sem a minha filha”, explica.
Busca por apoio
Diante da situação, as lideranças indígenas afirmam que pretendem buscar apoio da imprensa e de órgãos públicos para denunciar a realidade enfrentada. “A gente foi até Brasília e disseram que está tudo certo. Mas não está. Nossa realidade é outra e é dolorosa pra quem está aqui vendo na prática”, avalia o cacique.
O g1 entrou em contato com o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), responsável pela saúde das populações em terras indígenas, que afirmou que entraria em contato com o coordenador da região. No entanto, não houve retorno até o fechamento desta reportagem.



