Um navio carregado com gás natural liquefeito (GNL) conseguiu atravessar o Estreito de Ormuz pela primeira vez desde o bloqueio quase total da passagem, iniciado em março em decorrência do conflito no Oriente Médio. A informação foi divulgada nesta terça-feira, 28, pela empresa de rastreamento marítimo Kpler.
Detalhes da travessia
De acordo com os dados da Kpler, o metaneiro Mubaraz, controlado pela Adnoc, a empresa petrolífera nacional dos Emirados Árabes Unidos, partiu do Golfo Pérsico com 132.890 metros cúbicos de GNL a bordo. A embarcação de 290 metros de comprimento carregou sua carga na ilha de Das, nos Emirados Árabes Unidos, em 2 de março. O navio desligou seu transponder AIS no final de março, permanecendo sem sinal por um mês, antes de retomar a emissão na segunda-feira, próximo à costa da Índia.
Charles Costerousse, analista da Kpler, afirmou em comunicado: “É possível que tenha atravessado o estreito no fim de semana de 18-19 de abril, quando vários navios, entre eles sete metaneiros, tentaram passar, embora a data ainda não esteja confirmada.”
Contexto do bloqueio
Antes do Mubaraz, o Sohar LNG havia sido o único metaneiro a cruzar o estreito desde 1º de março, mas navegava praticamente sem carga. O Estreito de Ormuz é uma via crucial para o comércio global, por onde transita 20% do petróleo e gás mundial em tempos de paz. O mercado de GNL, do qual o Catar é um dos principais exportadores, é um dos mais impactados pelas restrições ao tráfego, consequência do conflito iniciado em 28 de fevereiro com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Impacto no petróleo
No mercado de petróleo bruto, mais de 70 navios carregados com o combustível deixaram o Golfo desde 1º de março, principalmente procedentes do Irã. Antes da guerra, passavam entre 130 e 150 embarcações por dia. O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz foi reduzido em 95% desde o início da retaliação iraniana pela ofensiva israelense-americana.
Essa travessia representa um marco importante para a retomada do comércio de gás na região, embora o cenário ainda seja incerto devido ao conflito em curso.



