Estudo revela que 89% dos homens não são tóxicos, mas Brasil tem realidade distinta
Estudo: 89% dos homens não são tóxicos; Brasil é diferente

Um estudo da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, com mais de 15 mil participantes, revelou que a maioria dos homens não pode ser classificada como "tóxica". A pesquisa, que dividiu os homens em cinco perfis, constatou que 89,2% deles apresentam níveis baixos ou moderados de traços problemáticos. O termo "homem tóxico" se popularizou nas redes sociais, mas a ciência agora busca entender melhor essa classificação.

Perfis de masculinidade identificados

Os pesquisadores analisaram atitudes como agressividade, controle emocional e visões sobre mulheres. O perfil "atóxico", sem traços tóxicos, foi o maior grupo, com 35% dos participantes. Já o grupo "tóxico hostil", considerado o mais extremo, representou apenas 3,2% dos entrevistados. Entre os dois extremos, foram identificados perfis intermediários: moderados tolerantes a LGBT (27,2%), moderados anti-LGBT (26,6%) e tóxicos benevolentes (7,6%).

O que define um homem tóxico hostil?

Os homens classificados como "hostis" combinavam altas pontuações em crenças como a de que mulheres buscam controlar os homens, valorização da agressividade, dificuldade de expressar vulnerabilidade, rejeição a traços femininos, comportamentos de controle em relações íntimas e baixa capacidade emocional. A autora do estudo, Deborah Hill Cone, afirma que rotular todos os homens como tóxicos pode não ser útil para a mudança de comportamento.

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Realidade brasileira é diferente

Especialistas ouvidos pelo g1 alertam que os dados neozelandeses não podem ser aplicados ao Brasil devido ao abismo social entre os países. Enquanto a Nova Zelândia está entre os primeiros em paridade de gênero, o Brasil ocupa a 70ª posição. A pesquisadora Ana Maria Bercht explica que a violência contra a mulher no Brasil é epidêmica, e a cultura ainda vê a mulher como anexo do homem.

Contexto histórico e cultural no Brasil

No Brasil, o voto feminino só foi conquistado nos anos 1930, e o divórcio, nos anos 1970. Ainda hoje, as mulheres ganham menos e têm pouca representação política. Uma pesquisa Ipsos mostra que 70% dos brasileiros acham que há exigência excessiva sobre os homens para apoiar a igualdade de gênero, e 21% concordam que a mulher deve obedecer ao marido. Para Bercht, isso explica a violência e a desresponsabilização masculina.

Misoginia nas redes e projetos de lei

A misoginia se reflete em trends nas redes sociais, com milhões de seguidores em conteúdos que incentivam a violência. O Senado aprovou projeto que equipara misoginia ao racismo, mas a Câmara resiste. A pesquisa neozelandesa, embora relevante, não reflete a realidade brasileira, onde a luta por igualdade ainda é urgente.

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