Diagnóstico tardio do câncer colorretal preocupa especialistas e Unimed Cuiabá emite alerta
O câncer colorretal, que abrange tumores no cólon e reto, atualmente ocupa a posição de terceiro tipo mais frequente no Brasil. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar aproximadamente 53.810 novos casos por ano durante o triênio de 2026 a 2028, representando cerca de 10,4% de todos os diagnósticos oncológicos. Este tema ganhou maior visibilidade nos últimos anos após afetar personalidades conhecidas, como a cantora Preta Gil em 2025, aos 50 anos, e o ator Chadwick Boseman em 2020, aos 43 anos. Esses casos ampliaram o debate sobre prevenção e evidenciaram que o câncer colorretal pode atingir adultos ainda em idade produtiva.
Fatores de risco e desafios no rastreamento
Durante a campanha nacional de conscientização Março Azul-Marinho, a Unimed Cuiabá reforça que mudanças no estilo de vida moderno e a dificuldade de acesso ao rastreamento estão entre os principais fatores por trás do aumento dos casos, inclusive entre pessoas com menos de 50 anos. A cooperativa oferece acompanhamento integral ao paciente oncológico através da Jornada do Paciente Oncológico (JPO), que inclui um comitê multidisciplinar para alinhar fluxos assistenciais com diretrizes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e evidências científicas. Além disso, a integração com a Rede de Cuidados Continuados (RCC) proporciona cuidados paliativos baseados em recomendações da American Society of Clinical Oncology (ASCO), com suporte clínico, emocional e social em domicílio.
Segundo o médico gastroenterologista Alberto Bicudo Salomão, cooperado da Unimed Cuiabá, o câncer colorretal é uma doença multifatorial, com a maioria dos casos ligada ao estilo de vida atual. "O sedentarismo, a alimentação rica em carnes processadas e ultraprocessados, o baixo consumo de fibras, a obesidade, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool elevam significativamente o risco. Doenças inflamatórias intestinais também estão associadas ao desenvolvimento da doença", explica. Ele destaca que o intestino possui um sistema nervoso próprio e mantém comunicação constante com o cérebro, respondendo ao estresse crônico e alterações emocionais.
Sinais de alerta e importância do diagnóstico precoce
Um dos principais desafios é que o câncer colorretal pode evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, originando-se de pólipos que podem permanecer assintomáticos por anos. "O intestino tem grande capacidade de adaptação. Muitas alterações passam despercebidas até que a doença esteja em estágio mais avançado. Por isso o rastreamento é essencial, mesmo quando não há sintomas", reforça o especialista. Os sinais de alerta incluem:
- Alteração persistente no hábito intestinal, como diarreia ou constipação
- Fezes mais finas
- Presença de sangue nas fezes
- Dor abdominal contínua
- Sensação de evacuação incompleta
- Anemia sem causa aparente
O aumento gradual de casos em pessoas com menos de 50 anos é uma preocupação crescente. A recomendação atual é iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos para indivíduos sem fatores de risco adicionais, enquanto aqueles com histórico familiar de primeiro grau devem começar cerca de 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar. Métodos de detecção incluem pesquisa de sangue oculto nas fezes, testes imunológicos fecais e exames baseados em DNA fecal, mas a colonoscopia permanece o padrão-ouro por permitir a remoção de pólipos durante o procedimento.
Tratamento e desigualdade no acesso
Quando diagnosticado precocemente, o câncer colorretal pode apresentar taxas de cura superiores a 90%, mas em estágios avançados essas chances diminuem significativamente. O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia, com abordagens cada vez mais individualizadas que consideram características moleculares do tumor e condições clínicas do paciente. Técnicas minimamente invasivas, como laparoscopia e cirurgia robótica, reduzem complicações e tempo de recuperação, enquanto terapias-alvo e imunoterapia ampliam as possibilidades de tratamento em casos selecionados.
No entanto, a desigualdade social impacta diretamente no diagnóstico e tratamento. A dificuldade de acesso a exames como a colonoscopia, especialmente no sistema público, contribui para que muitos pacientes descubram a doença em estágio avançado. Fatores culturais como medo, vergonha e desconhecimento também influenciam na baixa adesão ao rastreamento. "O câncer colorretal é uma das doenças com maior potencial de prevenção e cura quando detectado cedo. Precisamos avançar não apenas em tecnologia, mas também em educação em saúde", conclui o especialista. Médico responsável: Dr. Carlos Bouret. CRM 2426 MT - RQE 501 - RQE 1288.
