A campanha de vacinação contra a dengue ganhou força em três cidades brasileiras nesta semana, com estratégias inovadoras para facilitar o acesso da população aos imunizantes. A ação faz parte de um projeto piloto do Ministério da Saúde que pretende ser expandido para todo o país ainda este ano.
Estratégias de vacinação em diferentes regiões
Em Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza, a prefeitura adotou um método ágil para imunizar os moradores. Seu Francisco Bezerra nem precisou descer da moto para receber a dose. "Eu ia passando, achei melhor vir aqui, mais rápido, e já tomei a injeção. É melhor prevenir", contou o porteiro, exemplificando a praticidade da iniciativa.
Além dos pontos volantes nas ruas, os moradores de Maranguape puderam se vacinar em trinta e cinco postos de saúde, numa praça, na rodoviária e até no estacionamento de um supermercado. O servente Alexandre Goes destacou a importância da prevenção: "É bom tomar vacina em dia, porque quando a doença chega ninguém espera não".
Números expressivos e experiência prévia com a doença
Na região metropolitana de Belo Horizonte, Nova Lima mobilizou todos os seus 21 postos de saúde e mais 2 unidades móveis para uma vacinação em massa. A cidade disponibilizou 23 mil doses para seus habitantes.
Entre os que compareceram estava Dona Isabel, que já teve dengue e não quis correr riscos. "É fundamental. Não quer ter a doença de novo não... Nem pensar", afirmou, demonstrando o trauma que a experiência anterior deixou.
Já em Botucatu, no interior de São Paulo, os preparativos estão a todo vapor para o início da campanha. Os vinte e oito pontos de vacinação da cidade começarão a funcionar a partir de amanhã. O gesseiro Messias Bezerra da Silva já garantiu sua participação: "Tem que tá sempre atento com essa… vacina é sempre uma coisa boa, né? Então, com certeza eu vô tá lá, sim".
Critérios de seleção e plano nacional
O Ministério da Saúde escolheu essas três cidades por terem entre cem mil e duzentos mil habitantes e por contarem com centros de pesquisas parceiros. O objetivo inicial é vacinar até cinquenta por cento da população em cada município, focando em profissionais de saúde e pessoas entre quinze e cinquenta e nove anos de idade.
O ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, anunciou planos ambiciosos: "Na medida que nós formos recebendo maior produção desses insumos, na parceria do Butantan e com a empresa chinesa, nós vamos escalar isso nacionalmente ainda esse ano. Vamos garantir que a população tenha acesso à vacina ainda esse ano".
Segundo o Instituto Butantan, a nova vacina brasileira apresenta 74,7% de eficácia geral e impressionantes 91,6% de eficácia contra dengue grave. Paralelamente, a vacina japonesa Qdenga continua sendo aplicada em duas doses em jovens de 10 a 14 anos.
O enfermeiro Arnaldo Geraldo de Assis resumiu o sentimento que une autoridades e população: "Aí ajuda a gente, a população a prevenir e outra coisa, se cada um tiver a consciência e vir cá tomar a vacina, com certeza vai ser bom pra todo mundo".
As campanhas representam um avanço significativo no combate à dengue, mas especialistas lembram que a vacinação deve andar lado a lado com medidas tradicionais de eliminação de focos do mosquito Aedes aegypti.