A dependência do Brasil em relação a medicamentos e insumos farmacêuticos produzidos no exterior atingiu um novo patamar preocupante. Os dados mais recentes revelam um aumento significativo nos gastos com importações, evidenciando a vulnerabilidade do sistema de saúde nacional e a estagnação dos planos governamentais para reerguer a produção interna.
Gasto recorde e avanço chinês no mercado
No ano passado, o país desembolsou a quantia de US$ 8,8 bilhões na compra externa desses produtos essenciais. Esse valor representa um aumento de 8,6% em comparação com o já elevado gasto registrado em 2021, o primeiro ano da pandemia de Covid-19. Na prática, o dispêndio atual é praticamente o dobro do observado antes do ciclo pandêmico, em 2020.
Um dos movimentos mais marcantes nesse cenário é a ascensão rápida da China como fornecedor. As compras brasileiras na indústria farmacêutica chinesa aumentaram 39% nos últimos doze meses, superando a marca de US$ 1 bilhão. As informações, divulgadas na quarta-feira, 14 de janeiro, pelo Conselho Empresarial Brasil-China, mostram uma mudança acelerada no ranking de fornecedores.
China se torna o quarto maior fornecedor
Há apenas doze meses, a China ocupava a sétima posição entre os países que mais vendem medicamentos e insumos para o Brasil. Desde dezembro, porém, ela saltou para a quarta colocação, detendo 6,3% de participação no mercado brasileiro. À frente dela, permanecem apenas os Estados Unidos (18%), a Alemanha (14%) e a Suíça (7%).
Esse crescimento exponencial consolida a China como um player central na cadeia farmacêutica global e destaca a dependência brasileira de uma geografia diversificada, porém externa, para o abastecimento de itens críticos para a saúde da população.
Planos de reconstrução nacional ainda no papel
O avanço contínuo da dependência externa serve como um termômetro claro do atraso na execução das políticas industriais para o setor. Tanto o governo de Jair Bolsonaro quanto o atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva anunciaram planos ambiciosos para a reconstrução da indústria nacional de medicamentos e insumos farmacêuticos.
No entanto, os dados mostram que, até o momento, essas iniciativas continuam sendo apenas planos, sem a transformação concreta necessária para reverter o quadro. A pandemia escancarou a vulnerabilidade estratégica do país, mas a resposta em termos de produção interna segue lenta e insuficiente.
A vulnerabilidade do Brasil aumentou de forma significativa desde o início da pandemia, e a falta de autonomia na produção de itens de saúde coloca o sistema público e privado em situação de risco perante crises globais ou interrupções nas cadeias de logística internacional.