Especialista francês em sono alerta sobre riscos da má qualidade do descanso
Dormir mal representa uma ameaça direta à saúde, aumentando significativamente o risco de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, câncer e diversos transtornos mentais. Compreender os mecanismos neurológicos do chamado sono "bom" — aquele que proporciona sensação de descanso ao despertar — é fundamental para tratar condições como insônia, sonolência excessiva e cansaço crônico.
Os pilares do descanso adequado
Segundo o psiquiatra francês Pierre Alexis Geoffroy, especialista em medicina do sono e autor do livro "La nuit vous appartient" ("A Noite é Sua"), a falta de sono pode acelerar o envelhecimento do organismo e prejudicar a capacidade de aprendizado. Em sua obra, ele detalha os mecanismos que favorecem o descanso adequado, destacando quatro pilares essenciais: regularidade, duração, ritmo e adequação ao relógio biológico individual.
"A insônia é uma das principais queixas nas consultas médicas", afirma Geoffroy. "Os pacientes relatam não dormir o quanto desejariam ou não ter um sono de qualidade. Outros sofrem com hipersonolência, dormindo excessivamente ou durante o dia. Uma terceira queixa comum envolve problemas comportamentais noturnos, como sonambulismo."
Fatores genéticos e ambientais que influenciam o sono
O primeiro passo para melhorar a qualidade do sono, segundo o especialista, é compreender a própria regularidade circadiana. Nosso ritmo de sono é determinado por aproximadamente 25 genes que gerenciam o relógio biológico em ciclos de 24 horas, sincronizados com a exposição à luz solar.
"Existem pessoas matutinas e outras mais alertas durante a noite", explica Geoffroy. "Essa predisposição é definida geneticamente e não pode ser alterada. Com o avanço da idade, essa tendência evolui naturalmente: crianças são mais ativas pela manhã, adolescentes à noite, e idosos retornam a um padrão mais matutino."
Além dos fatores genéticos, condições ambientais exercem influência decisiva:
- Tipo de moradia e qualidade do colchão
- Controle de temperatura ambiente
- Poluição luminosa e acústica
- Exposição à luz artificial durante a noite
"Algumas pessoas afirmam conseguir dormir com luz ou barulho", observa o psiquiatra. "Porém, nessas situações ocorre o que chamamos de integração sensorial: o cérebro processa esses estímulos como informação, fragmentando o sono, tornando-o menos profundo e prejudicando sua qualidade restauradora."
Doenças relacionadas ao sono e riscos ocupacionais
Quando condições ideais de escuridão, silêncio e temperatura estão presentes e o sono continua inadequado, é necessário investigar causas médicas. A apneia do sono — caracterizada por pausas respiratórias involuntárias durante o descanso — representa risco cardiovascular significativo, desregula o relógio biológico e provoca problemas metabólicos.
O sono de má qualidade pode ser tanto causa quanto consequência de condições como depressão, transtornos de ansiedade e dependência química. Um estudo citado por Geoffroy revelou que, após sete anos, metade dos participantes com insônia desenvolveu depressão.
O especialista também alerta sobre os riscos ocupacionais: "A falta de sono pode causar acidentes de trabalho e erros humanos. As pessoas que trabalham à noite pagam um preço elevado pela saúde. Na França, recomendamos não exceder cinco anos de trabalho noturno, começando a preparar transição profissional a partir do terceiro ano."
Como determinar suas necessidades individuais de sono
Conhecer a necessidade diária pessoal de descanso é essencial para obter sono reparador. "Algumas pessoas necessitam de menos horas; outras, de mais. A maioria dorme entre sete e oito horas", explica Geoffroy. "Após quinze dias de férias, sem obrigações e com ritmo livre, é possível avaliar com precisão qual é sua necessidade individual e tempo ideal de sono."
O psiquiatra enfatiza que quase metade da população mundial relata problemas de insônia, mas muitos recorrem a medicamentos sem compreender as causas reais de suas dificuldades. Interpretar adequadamente as queixas dos pacientes é, portanto, etapa crucial no tratamento eficaz dos distúrbios do sono.



