Seriguela: folhas azedinhas da fruta do verão são descobertas como alimento nutritivo em Campo Grande
Folhas da seriguela são alimento nutritivo em Campo Grande

Seriguela: além do fruto, folhas azedinhas são descobertas como alimento nutritivo em Campo Grande

Durante o verão em Campo Grande, a seriguela se destaca como uma das frutas mais abundantes, aparecendo em quintais, praças e áreas urbanas entre dezembro e fevereiro, quando seus frutos amadurecem e ficam prontos para o consumo. No entanto, o que poucos sabem é que as folhas da planta também podem ser consumidas e incorporadas em diversas receitas, ampliando as possibilidades alimentares dessa espécie tão comum na região.

Uma planta alimentícia não convencional com potencial subestimado

Segundo a professora Bruna Paola Murino Rafacho, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Alimentos e Nutrição da UFMS, a seriguela é mais conhecida nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, onde é consumida in natura ou transformada em sucos, polpas congeladas, sorvetes e geleias. A pesquisadora explica que tanto o fruto quanto as folhas da seriguela são classificadas como Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), um termo usado para designar plantas comestíveis que não fazem parte da alimentação cotidiana da maioria das pessoas.

As folhas jovens da seriguela são especialmente ricas em proteínas, fibras e minerais essenciais, como magnésio e potássio, além de serem uma fonte valiosa de compostos com ação antioxidante. Embora haja registros do uso popular das folhas na forma de chá, Bruna ressalta que elas não são oficialmente reconhecidas como planta medicinal, e ainda existem poucas informações científicas sobre seus efeitos específicos. “O mais comum é consumir o fruto e as folhas jovens na alimentação”, destaca a especialista, enfatizando a importância de integrar esses elementos de forma moderada na dieta.

Sabor azedinho e benefícios para a saúde

Angela Christina Conte Theodoro, doutoranda da UFMS e pesquisadora de PANC, reforça que as folhas da seriguela possuem um sabor levemente azedinho, o que as torna versáteis para uso culinário. “Além do sabor agradável, as folhas possuem atividade antioxidante, anti-inflamatória e auxiliam na digestão”, afirma ela. Para garantir a segurança no consumo, Angela recomenda sempre optar pela coleta das folhas mais novas, localizadas na pontinha dos galhos, e evitar árvores situadas em vias movimentadas, devido ao risco de contaminação por poluição ou pesticidas. A higienização cuidadosa antes do consumo é indispensável.

Moderação é a chave: a pesquisadora orienta que não é indicado fazer consumo exagerado das folhas ou preparar chás muito concentrados. “O ideal é sempre diversificar a alimentação”, complementa, destacando a importância de equilibrar o uso das PANC com outros alimentos.

Como utilizar as folhas de seriguela na cozinha

As folhas jovens da seriguela podem ser incorporadas de várias formas na culinária, oferecendo opções criativas e saudáveis. Aqui estão algumas sugestões práticas:

  • Salada de folhas de seriguela: as folhas jovens devem ser bem lavadas e cortadas em tiras finas. Podem ser misturadas com outras frutas e verduras, com temperos a gosto, como azeite, mel, shoyu, limão ou vinagre.
  • Geleia de folhas de seriguela: após lavar, bata as folhas jovens no liquidificador e coe para retirar o excesso de fibras. Para cada medida do suco verde obtido, adicione metade da quantidade em açúcar cristal e leve ao fogo, mexendo até atingir o ponto desejado de consistência.
  • Suco verde de folhas de seriguela: bata um punhado de folhas com água e algumas gotas de limão, se preferir. Coar é opcional, dependendo da textura desejada.

Essa descoberta não apenas amplia as possibilidades de consumo de uma planta bastante presente no dia a dia dos campo-grandenses, mas também reforça o potencial das PANC na promoção de uma alimentação mais saudável e sustentável. Ao explorar recursos locais como a seriguela, é possível diversificar a dieta e aproveitar benefícios nutricionais que muitas vezes passam despercebidos.