As aulas de música têm se revelado uma ferramenta eficaz para reduzir o tempo que crianças e adolescentes passam em frente a telas de celulares e computadores. A prática de tocar um instrumento exige dedicação e disciplina, resultando em melhorias na concentração, foco e equilíbrio emocional, conforme relatos de jovens músicos, pais e especialistas.
Benefícios da prática musical
O estudante Davi Kammer, que começou a tocar piano aos seis anos, conta que a atividade o ajudou a diminuir as distrações digitais. "Quando a gente escolhe algo que demanda tanto tempo e esforço, acaba optando por isso em vez das distrações passageiras das telas", afirma. Com o tempo, a prática virou rotina, trazendo benefícios além do aprendizado musical. "O desempenho na escola melhora porque você ganha mais foco e deixa de ser tão imediatista", completa.
Glória Raimondi, fundadora do Instituto Raimondi em Campinas (SP), explica que a música é uma atividade completa por trabalhar os dois lados do cérebro. "A música é perfeita porque une razão e emoção. O pianista, por exemplo, precisa trabalhar os dois hemisférios cerebrais de forma igual, promovendo equilíbrio", diz. Os benefícios incluem melhora da memória, coordenação motora e desenvolvimento de novas formas de resolver problemas.
Depoimentos de pais e psicólogos
Isabella Agostinho, que começou a tocar piano há cerca de um ano, reserva ao menos uma hora por dia para a prática. Sua mãe, Renata Romeiro Agostinho, já percebe melhoras na concentração da filha. "Ela consegue ficar uma hora sentada na aula, gosta de aprender", relata. O psicólogo Ricardo Rosso Coelho reforça que a dedicação à música, aliada à redução do uso de telas, fortalece o lado emocional. "Uma criança que desenvolve essa questão emocional se torna um adulto mais preparado para lidar com os desafios da vida", afirma.
Crescimento da procura por aulas de música
A procura por aulas de música tem aumentado, especialmente entre os mais jovens. Em uma escola de música em Piracicaba (SP), 70% dos alunos são crianças e adolescentes. A diretora-geral Ivete Cunha Machado destaca a importância do processo de aprendizado. "A criança está construindo seu conhecimento, por isso precisa ter paciência para tentar de novo, errar e aprender", diz. Benício Costa Massad, que estuda contrabaixo desde os oito anos, limita seu tempo de tela a no máximo uma hora por dia. "Podemos fazer mais coisas, não precisa ficar o dia inteiro na tela. Tocar o que gosto é um momento feliz", relata.



