Escritor de Palmital transforma luto e doença do filho em livro sobre leucemia
Escritor de Palmital transforma luto em livro sobre leucemia

O escritor Álvaro Allen, natural de Palmital, interior de São Paulo, transformou experiências dolorosas de sua vida pessoal em uma obra literária de sucesso. O livro 'Flores Para Ana', que narra a história de uma menina de 8 anos diagnosticada com leucemia, chegou a figurar na lista dos mais lidos em uma das principais plataformas de e-books do país. Em entrevista, o autor detalhou o processo de criação e os temas que permeiam a narrativa, como a efemeridade da vida e a ancestralidade.

Inspiração na dor pessoal

A perda dos pais, ocorrida em 1998 e 2010, e o período em que seu filho Adam passou dois meses internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após o nascimento foram os pilares para o desenvolvimento da história. O bebê enfrentou hidrocefalia, condição caracterizada pelo acúmulo de líquido no cérebro. Hoje com 4 anos, Adam está bem, segundo o pai. 'O livro nasceu nesse cenário: eu escrevia para não desmoronar. Cada capítulo é um pedaço da minha alma tentando transformar a dor do luto em uma flor de esperança para quem lê. Eu não criei uma história, eu dei voz à minha própria superação', relata Allen.

Protagonismo infantil

Diferente de novelas que retratam o câncer em adultos, Allen optou por centralizar a narrativa no olhar de uma criança. 'A escolha de uma criança de 8 anos, a Ana Clara, como protagonista foi essencial para trazer uma perspectiva de pureza e curiosidade sobre um tema que nós, adultos, muitas vezes tratamos apenas com medo: a finitude', explica. No hospital, a personagem escreve cartas em seu diário para lidar com a leucemia e o abandono do pai, enquanto a mãe abandona a profissão de professora para se dedicar ao tratamento da filha.

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Recepção do público

Para leitores que vivenciam a realidade de hospitais e quimioterapias, a obra se tornou um espaço de acolhimento. 'Muitos dizem que o livro serviu como um 'abraço' ou uma ferramenta para explicar a partida para outras crianças. Lembro de um diretor de escola que disse ter ficado anestesiado com a leitura. Esse retorno confirma que, embora a dor seja universal, a esperança também pode ser, se soubermos como contá-la', celebra o autor. 'Acredito que isso aproxima não apenas o público infantil, mas as famílias. As crianças se enxergam na sinceridade da Ana, e os adultos são convidados a resgatar essa mesma leveza para lidar com conversas difíceis', acrescenta.

Ancestralidade como alicerce

Durante a escrita, Allen encontrou documentos de seus antepassados, o que deu profundidade à obra. 'Sempre senti que meu nome, Álvaro Allen, carregava um peso que eu ainda não entendia. Iniciei uma busca obsessiva pela minha genealogia e o que encontrei foi digno de filme: meu bisavô nasceu em pleno Oceano Atlântico, em um navio vindo de Portugal, e foi registrado em Belém em 1911', contextualiza. 'Ao tocar nesses documentos, senti que precisava honrar essa coragem. O resgate histórico serviu de base para a profundidade do livro, porque percebi que somos o resultado de quem veio antes de nós', reconhece. 'Flores para Ana é o meu jeito de dizer que, embora meus pais tenham partido, a linhagem Allen continua viva e agora florescendo no topo da literatura', complementa. 'O livro não é sobre a doença, é sobre como a vida continua vibrante mesmo diante dela', finaliza.

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