Melasma: a ciência revela o papel da dieta na prevenção e tratamento das manchas na pele
Manchas escuras na pele, especialmente no rosto, em formato de borboleta, são um problema que afeta profundamente a autoestima e a interação social, com impactos significativos na qualidade de vida e no bem-estar emocional. Em muitos casos, essas alterações persistem mesmo com tratamentos dermatológicos e o uso constante de protetor solar. Conhecidas como melasma, essas manchas representam uma das formas mais comuns de hiperpigmentação cutânea.
O que é o melasma e por que ele ocorre?
O melasma aparece principalmente em mulheres adultas e é mais frequente em populações com maior pigmentação cutânea e em regiões de alta exposição solar, o que explica sua elevada prevalência em países tropicais como o Brasil. Por décadas, a condição foi atribuída principalmente à exposição solar, alterações hormonais e predisposição genética. No entanto, revisões recentes sobre a fisiopatologia do melasma indicam que esses fatores não são suficientes para explicar todos os casos observados na prática clínica.
Nos últimos anos, pesquisadores começaram a examinar outros fatores biológicos associados ao surgimento dessa hiperpigmentação, incluindo inflamação, alterações metabólicas e estresse oxidativo. Esses processos podem influenciar a atividade dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. Estudos recentes também apontam que a ativação de mastócitos — células de defesa da pele — e o aumento de substâncias inflamatórias como a histamina podem agravar a inflamação local e favorecer o desenvolvimento do melasma.
A conexão entre dieta e melasma
A partir dessas descobertas, uma pergunta ganhou espaço na literatura científica: a alimentação também poderia interferir nesses mecanismos e influenciar o desenvolvimento do melasma? A relação entre nutrição e saúde da pele ainda está em estudo, mas algumas linhas de investigação vêm ganhando destaque. Uma delas envolve substâncias antioxidantes presentes nos alimentos, capazes de modular processos biológicos relacionados à pigmentação.
No livro Nutrição Funcional na Estética, a nutricionista Sheila Mustafá e a bioquímica Mika Yamaguchi reúnem estudos que analisam como compostos bioativos na dieta podem afetar a formação das manchas. Os polifenóis, por exemplo, são moléculas antioxidantes amplamente distribuídas em alimentos de origem vegetal. As catequinas do chá verde têm sido estudadas por seu potencial anti-inflamatório e capacidade de proteger a pele contra danos da radiação ultravioleta.
Alimentos que podem ajudar
A romã é outro alimento que tem despertado interesse, rica em elagitaninos e ácido elágico, substâncias com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Essas moléculas também estão presentes em frutas como jabuticaba, camu-camu, morango e framboesa. A absorção e metabolismo desses compostos dependem, em parte, da microbiota intestinal, que os transforma em formas bioativas.
Outro grupo importante é o dos carotenoides, pigmentos naturais encontrados em alimentos como tomate, cenoura e vegetais verde-escuros. Compostos como licopeno, luteína e zeaxantina têm sido associados à proteção das células cutâneas contra danos do estresse oxidativo. Além disso, alterações metabólicas, como a inflamação sistêmica de baixo grau associada à resistência à insulina, podem ser intensificadas por dietas ricas em açúcares e ultraprocessados, favorecendo o melasma.
Uma visão abrangente sobre o tratamento
Hoje, o melasma é considerado uma alteração multifatorial, resultante da interação entre exposição solar, genética, hormônios, inflamação e metabolismo. Essa perspectiva ajuda a entender por que o tratamento costuma envolver abordagens combinadas, como fotoproteção rigorosa, acompanhamento dermatológico e orientação nutricional. Padrões alimentares ricos em vegetais, frutas e alimentos de origem vegetal — como as dietas plant-based e mediterrânea — têm sido associados a um ambiente metabólico mais favorável ao equilíbrio dos processos envolvidos no melasma.
Embora mais estudos sejam necessários, as evidências disponíveis indicam que a dieta pode influenciar não apenas a saúde da pele, mas também processos metabólicos que afetam o organismo como um todo, abrindo novas perspectivas para a prevenção e tratamento do melasma.



