Tartaruga-verde de quase 200 kg retorna ao mar após cinco meses de reabilitação no Espírito Santo
Uma tartaruga-verde (Chelonia mydas) adulta, com aproximadamente 200 quilos, foi devolvida ao oceano nesta quarta-feira (20) após um longo processo de recuperação. A operação envolveu mais de 20 profissionais e ocorreu no litoral do Espírito Santo.
O animal foi resgatado debilitado na praia de Capuba, localizada no município da Serra, na Grande Vitória. Após ser encontrado encalhado e desorientado no início do ano, passou por reabilitação no Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM), em Vila Velha.
Detalhes do resgate e tratamento
O resgate aconteceu logo nos primeiros meses de 2025, quando a tartaruga foi localizada na faixa de areia. O médico veterinário Luiz Felipe Mayorga, diretor do IPRAM, explicou que o animal chegou ao centro em boas condições corporais, o que surpreendeu a equipe. “Ela estava bem gordinha, sem sinais de emagrecimento prolongado. Isso indica que foi um problema agudo, algo que comprometeu a saúde dela rapidamente”, afirmou.
Durante o tratamento, a tartaruga foi submetida a exames de sangue, radiografias e ultrassonografia. Os veterinários identificaram lesões musculares causadas por esforço repetitivo, além de escoriações na cabeça e nas nadadeiras. A principal suspeita é que o animal tenha ficado preso em algum artefato de pesca e conseguido escapar após sofrer grande exaustão física.
“Juntando todas as evidências, acreditamos que ela foi capturada acidentalmente por algum equipamento de pesca. Isso pode ter provocado lesões musculares, exaustão profunda e até doença descompressiva, causada por mudança brusca de profundidade”, detalhou Mayorga.
Soltura em alto-mar
Após cinco meses de cuidados intensivos, a tartaruga foi considerada apta para retornar à natureza. A soltura ocorreu em alto-mar, a aproximadamente 15 milhas da costa da Baía de Vitória, a bordo da embarcação Mar de Abrolhos, com apoio do Instituto Canal/Amigos da Jubarte.
A decisão de realizar a devolução longe da praia teve como objetivo reduzir o risco de nova interação com redes de pesca. “É um animal adulto e oceânico, que vive em águas profundas. Soltar diretamente no mar aumenta as chances de ela retornar ao habitat adequado com mais segurança”, explicou o veterinário.
Orientações para casos de animais marinhos encalhados
O IPRAM reforça que, ao encontrar animais marinhos encalhados, vivos ou mortos, a população deve comunicar imediatamente as equipes de monitoramento. No Espírito Santo, o contato do instituto é o (27) 99865-6975, com atendimento 24 horas. Também é possível acionar o Projeto de Monitoramento de Praias (PMP) pelo telefone 0800 991 4800, das 8h às 18h.
O PMP, da Petrobras, é uma exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo IBAMA e atua no monitoramento de animais marinhos em todo o litoral capixaba.



