Derrubada de vetos na LDO preocupa economistas sobre contas públicas
Derrubada de vetos na LDO preocupa economistas

A derrubada de quatro vetos presidenciais à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) reacende o debate sobre o equilíbrio das contas públicas em pleno período pré-eleitoral. Desta vez, o Congresso Nacional, que frequentemente critica os gastos do governo Lula, é o centro das atenções. Economistas avaliam que a medida amplia a percepção de fragilidade fiscal do país.

Gasto em ano eleitoral

A economista Cristiane Quartaroli, do Ouri Bank, explicou que a derrubada dos vetos flexibiliza transferências de recursos e bens justamente em um ano de eleições, o que eleva a preocupação com o aumento de despesas públicas e a falta de responsabilidade fiscal. Segundo ela, a decisão “amplia gasto em ano eleitoral e enfraquece os mecanismos de controle orçamentário do governo”. O movimento também pode aumentar a cautela do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em relação à inflação e aos juros.

A preocupação é compartilhada pela Instituição Fiscal Independente (IFI). O diretor da IFI, Alexandre Andrade, classificou o momento atual como de “equilíbrio precário”. Para ele, a derrubada dos vetos deve provocar aumento de despesas em um cenário no qual já se espera menor rigor no controle dos gastos públicos devido ao calendário eleitoral.

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Espaço apertado para investimentos

Andrade observou que o avanço das despesas obrigatórias vem comprimindo cada vez mais o espaço destinado a investimentos e políticas discricionárias do governo. Mesmo com o cumprimento formal de metas fiscais, especialistas alertam que o principal sinal observado pelo mercado segue sendo o crescimento contínuo da dívida pública.

Pressão sobre juros e inflação

Para Alexandre Andrade, sem uma revisão estrutural das despesas obrigatórias, o país continuará convivendo com baixa capacidade de investimento e maior pressão sobre juros e inflação. A leitura entre economistas é de que o Congresso atendeu a demandas regionais e municipais importantes, mas ao custo de aumentar dúvidas sobre a consistência do ajuste fiscal brasileiro nos próximos anos.

Entenda a decisão do Congresso

A decisão do Congresso libera repasses federais para estados e municípios inadimplentes, autoriza o uso de verbas da União em obras de estradas e hidrovias locais e flexibiliza regras para doação de bens e benefícios em ano eleitoral. Na prática, parlamentares abriram espaço para ampliar gastos em um momento em que o mercado já monitora com cautela a trajetória da dívida pública brasileira.

Defesa dos prefeitos

Um dos principais defensores da derrubada dos vetos, o senador Wellington Fagundes (PL/MT), argumentou que as restrições antes impostas pelo governo dificultavam investimentos essenciais em infraestrutura e penalizavam os municípios. Segundo ele, a LDO foi aprovada justamente para permitir que “estradas vicinais e estradas estaduais pudessem receber recurso mais abundante”. O senador também criticou o aumento da carga tributária sem retorno efetivo para a população e afirmou que o governo transfere responsabilidades aos prefeitos sem garantir recursos suficientes para atender às demandas locais.

População vulnerável perde mais

Parlamentares usaram o argumento da derrubada dos vetos para classificar como “inaceitável” o volume de obras paralisadas no país. Segundo Wellington Fagundes, existem hoje cerca de 11 mil obras inacabadas, sendo aproximadamente 8 mil nas áreas de saúde e educação. A partir desse raciocínio, os congressistas defendem que a situação afeta diretamente a população mais vulnerável. “O cidadão que está lá pagando imposto precisa trabalhar e não tem uma creche para deixar sua criança”, afirmou ao defender a retomada dos investimentos públicos em municípios que enfrentam dificuldades fiscais.

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