Antes de se tornar coach de masculinidade, o ator Juliano Cazarré brilhou no cinema em um papel que desafia os estereótipos de gênero. Lançado em 2015, o filme 'Boi Neon', dirigido por Gabriel Mascaro, retorna aos cinemas brasileiros em 2 de julho. Na trama, Cazarré interpreta um trabalhador rural que esconde o sonho de ser estilista, interesse comumente associado ao universo feminino.
Um papel que quebra paradigmas
O longa-metragem pernambucano conquistou plateias ao redor do mundo ao mostrar a história de um vaqueiro que concilia a paixão pela moda com o papel de pai postiço de uma garota abandonada e o romance com Geisy, personagem de Samya de Lavor. A produção evidencia que homens, especialmente os de classes baixas, vão muito além do estereótipo patriarcal.
O contraste com o discurso atual
Hoje, Cazarré adota uma postura oposta. Ele diz que não vai 'usar cropped' e promove o encontro O Farol e a Forja, de base católica, onde defende que 'o papel do homem é sustentar' e 'ser o chão que os outros pisam'. Nas redes sociais, promete agir 'sem gritaria, sem ideologia e sem caricatura'.
Em entrevista ao GloboNews, o ator afirmou que, no Brasil, 'mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres'. A declaração é falsa, baseada em um vídeo viral da advogada Jamily Wenceslau que distorce dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O órgão protestou: 'É lamentável que se use fake news para tentar minimizar a gravidade da violência contra as mulheres no Brasil, justamente quando os dados mostram recordes de feminicídio ano após ano'.
Repercussão na classe artística
A postura de Cazarré tem sido duramente criticada por colegas como Bruno Gagliasso, Marjorie Estiano, Cláudia Abreu, Paulo Betti e Júlia Lemmertz. O debate acende a discussão sobre masculinidade e os discursos contraditórios do ator.



