A cadela Kiara, de três anos, faleceu na noite desta quarta-feira (13), após permanecer 14 dias internada em estado grave devido a complicações resultantes de uma castração realizada pelo serviço municipal de Três Corações (MG). O animal estava no Centro Intensivo Veterinário da cidade e não resistiu.
Denúncia formalizada
Segundo a protetora animal Théa Prudêncio, a denúncia foi registrada na Polícia Civil, que deve ouvir os envolvidos e encaminhar as informações ao Ministério Público, responsável por decidir sobre eventual responsabilização. Ela também formalizou uma denúncia no Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais (CRMV-MG), mas ainda não houve resposta.
Repercussão do caso
O caso ganhou repercussão após veterinários encontrarem duas abraçadeiras plásticas, conhecidas como “enforca-gato”, dentro do abdômen do animal durante uma cirurgia de emergência. Na época da denúncia, a administração municipal negou irregularidades e afirmou, em nota, que as técnicas utilizadas eram adequadas. O caso gerou forte comoção entre protetores de animais.
A protetora Théa Prudêncio publicou uma mensagem de despedida nas redes sociais, em que afirma que a cadela “foi profundamente amada” e que sua história ajudou a despertar consciência sobre a causa animal.
“A Kiara lutou até o fim. Esperamos que isso provoque mudanças”, afirmou Théa. Segundo ela, Kiara “não perdeu essa luta” e se tornou símbolo de uma mobilização que ganhou apoio em todo o país.
Entenda o caso
Kiara vivia nas ruas do bairro Cotia e foi encaminhada para castração na fazenda experimental da Unincor. A cirurgia foi realizada no dia 28 de abril. Segundo a protetora, a cadela já apresentava sinais de doença, mas, mesmo assim, passou pelo procedimento. Após a cirurgia, teve hemorragia, vômitos e sinais intensos de dor. Ela foi levada para uma clínica veterinária particular, onde passou por cirurgia de emergência. Durante o atendimento, os veterinários encontraram duas abraçadeiras de nylon dentro do abdômen do animal.
“A parte do lacre pode gerar aderências e complicações graves em órgãos internos. Isso vira um corpo estranho”, explicou o veterinário Charles Guedes. Na época, a Prefeitura informou que a cadela chegou para a cirurgia sem exames prévios, classificou o caso como fatalidade e negou maus-tratos ou negligência.
O g1 voltou a questionar a Prefeitura sobre quais medidas serão tomadas após a morte da cadela e se haverá investigação interna sobre o caso, mas até esta publicação não havia recebido resposta. O g1 também entrou em contato com o Ministério Público e o Conselho Regional de Medicina Veterinária e aguarda retorno.



