IBGE desmistifica: Salvador não é a cidade mais negra fora da África
Salvador não é a cidade mais negra fora da África, diz IBGE

IBGE revela dados que desconstroem mito sobre Salvador como cidade mais negra

Um mito que se consolidou no imaginário popular, tanto entre baianos quanto em outras regiões do país, acaba de ser desfeito por dados oficiais. Salvador não é a cidade mais negra fora da África, nem mesmo do Brasil, conforme informações levantadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A capital baiana, que celebrou seu aniversário recentemente, possui uma forte influência afro-brasileira, mas ocupa apenas a terceira posição no ranking nacional em termos absolutos de população preta ou parda.

Dados do Censo 2022 colocam Salvador em terceiro lugar

De acordo com o último Censo, realizado em 2022, 2,011 milhões de pessoas pretas ou pardas residiam em Salvador, um número que representa 83,2% da população municipal. Embora essa porcentagem seja significativa, ela coloca a cidade atrás de São Paulo, com 4,980 milhões, e Rio de Janeiro, com 3,372 milhões de habitantes nessas categorias raciais. Salvador, que completará 477 anos em 2026, tem sua história profundamente marcada pela cultura negra, mas os números absolutos revelam uma realidade diferente da crença popular.

Ranking proporcional mostra Salvador em posição ainda mais baixa

Quando analisada de maneira proporcional, a participação de pessoas pretas ou pardas na população soteropolitana era apenas a 484ª entre todos os municípios brasileiros. Nesse quesito, a liderança pertence a Serrano do Maranhão, onde 97,2% dos habitantes se declararam pretos ou pardos. O ranking segue com cidades baianas como Terra Nova e Teodoro Sampaio, com 96,2% e 95,2%, respectivamente, demonstrando que a representatividade negra é mais expressiva em municípios menores do interior.

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Destaque para população preta e comparação entre capitais

O IBGE também destacou os dados específicos sobre pessoas pretas. Em Salvador, 825.509 indivíduos se autodeclararam pretos, representando 34,1% da população municipal. Isso mantém a cidade na terceira posição em termos absolutos, atrás novamente de São Paulo (1,160 milhão) e Rio de Janeiro (968,4 mil). No ranking proporcional, Salvador ocupa a 44ª posição, liderado por Serrano do Maranhão (58,5%), Antônio Cardoso (55,1%) e Ouriçangas (52,8%), todos na Bahia.

Entretanto, entre as capitais brasileiras, Salvador possui a maior proporção de pessoas pretas, com seu índice de 34,1%. Esse dado reforça a importância histórica e cultural da cidade para a comunidade afro-brasileira, mesmo que o mito da "cidade mais negra fora da África" não corresponda à realidade estatística.

Essas informações do IBGE servem para corrigir percepções equivocadas e fornecer uma base factual para discussões sobre demografia, identidade e políticas públicas voltadas para a população negra no Brasil. A desconstrução desse mito não diminui a relevância de Salvador, mas sim destaca a complexidade e diversidade da presença negra em todo o território nacional.

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