Projeto Pintura Solidária usa arte na reabilitação de pacientes em Sorocaba
Pintura Solidária: arte na reabilitação em Sorocaba

O projeto Pintura Solidária está transformando a reabilitação de pacientes no Centro de Reabilitação Lucy Montoro, em Sorocaba (SP), ao utilizar a arte como ferramenta terapêutica. Por meio de oficinas de pintura, pessoas em recuperação de acidentes, AVC e câncer encontram um caminho para restaurar movimentos e a autoestima.

Histórias de superação

Entre os beneficiados está Carla Monteiro, que sofreu um acidente de moto e passou 44 dias em coma. Com fraturas nos dois braços, ela utiliza a pintura para recuperar movimentos perdidos. "Eu tive uma lesão maior de pulmão. Porém, de trauma, eu tive os dois braços quebrados, quebrei meu punho e perdi meu cotovelo esquerdo. Então, o processo de reabilitação veio logo depois de 81 dias internada", relata.

A luta de Gilmária das Flores começou em 2015, quando recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Após a metástase, ela perdeu o movimento do braço direito. "Eu sentia muita dor no braço e aqui, com os exercícios, a dor é menor e o movimento é melhor. Eu tive mais força no braço, antes não tinha nenhum movimento. Eu fiquei dois anos e meio sem movimento nenhum, perdi a sensibilidade, perdi tudo. Tenho bastante queimadura no braço porque gosto muito de cozinhar e eu me queimava por não sentir o braço", conta.

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Maria Ângela, de 68 anos, busca na pintura uma forma de recuperar a autonomia após um AVC isquêmico que paralisou o lado esquerdo de seu corpo.

Origem e impacto do projeto

Criado em 2003 pela voluntária Vera Lúcia Petrocchi, o projeto começou atendendo crianças em tratamento oncológico e hoje está presente em 18 instituições de Sorocaba. Ela relembra um dos momentos mais marcantes: "Uma coisa que me marcou muito foi um dos médicos falar assim para mim: 'Quando a criança vem para o tratamento e ela passa por uma oficina de pintura, por incrível que pareça, o organismo dela recebe melhor a medicação'".

Médicos da unidade afirmam que a arteterapia vai além do bem-estar emocional. A prática ajuda a trabalhar a percepção do movimento, a postura e a consciência corporal. Além dos benefícios físicos, a pintura promove a inclusão social e melhora a autoimagem dos pacientes, que descobrem novas habilidades apesar das limitações. As oficinas do projeto são gratuitas, acessíveis e abertas também aos acompanhantes dos pacientes.

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