Menino com anemia falciforme lança livro terapêutico com ursinho Dodói em hospital de Teresina
Criança com anemia falciforme lança livro com ursinho em hospital

Menino transforma jornada hospitalar em livro terapêutico com ursinho Dodói em Teresina

Heytor Carreiro da Costa, de 11 anos, possui um sorriso cativante e um companheiro constante: o ursinho de pelúcia Dodói. Foi com esse amigo especial nos braços que o menino participou, na última sexta-feira (27), do lançamento do livro "Heytor, Dodói e a Magia da Coragem", que narra sua própria trajetória dentro do Hospital Unimed Primavera, em Teresina. A obra nasce da convivência entre paciente, família e equipe de saúde, traduzindo em narrativa infantil o que a Unimed Teresina define como seu Jeito de Cuidar.

Quando questionado sobre o evento, Heytor resumiu com simplicidade a dimensão do momento: "Achei muito bom, muito emocionante". Ao seu lado estava Dodói, o ursinho de pelúcia que o acompanha desde os primeiros dias de vida, presente da avó Marinete e companheiro inseparável em consultas, exames e internações. Sobre ver o amigo retratado nas páginas do livro, o menino respondeu novamente com a mesma emoção, enquanto segurava o Dodói original, já marcado pelo tempo e pelas muitas passagens pelo hospital.

Uma jornada de mais de uma década no hospital

A relação de Heytor com a Unimed Teresina começou no seu nascimento e se tornou parte da rotina familiar. Logo nos primeiros dias de vida, após o Teste do Pezinho, o menino recebeu o diagnóstico de anemia falciforme. Desde então, a cada 15 dias, ele precisa retornar ao hospital para acompanhamento médico. A mãe, Franciele Carreiro, recorda que há mais de uma década a instituição acompanha a trajetória do filho, marcada por tratamentos frequentes e longas permanências longe de casa.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

"Desde quando ele nasceu até agora, a gente frequenta a Unimed. Já passamos Natal, datas comemorativas... Ano passado, eles permitiram que fizéssemos o aniversário de 10 anos dele aqui e foi muito emocionante", contou a mãe. Segundo ela, o vínculo criado com profissionais e colaboradores do hospital foi determinante para enfrentar os momentos mais difíceis.

"Sempre fomos tratados maravilhosamente bem no hospital. Do porteiro ao maqueiro. As meninas da cozinha, os enfermeiros, a equipe da Pediatria... eles moram no meu coração. Todas as vezes que eu precisei, estavam ali para ajudar ele, que é o principal", afirmou Franciele.

Uma família unida pela esperança do transplante

A família de Heytor, natural de Presidente Dutra, no Maranhão, percorre cerca de 200 quilômetros a cada atendimento, sempre sustentada pela esperança do transplante de medula óssea. "É muita luta, mas muita esperança de que um dia ele vai ser curado", disse o pai, Ivonê Alves. O primo Pedro Henrique Rocha Costa, de 17 anos, será o doador. "É um sentimento de amor e cuidado. Ele é um menino muito guerreiro e a gente está fazendo isso por ele", completou o familiar.

A história do livro começou justamente na observação sensível dessa rotina. A psicóloga hospitalar Regina Silva acompanhou Heytor ao longo dos anos e percebeu que o vínculo com o ursinho era mais que afeto infantil; era um recurso emocional para lidar com a doença.

"O Dodói é um apoio emocional. Ele ressignifica as dores e o sofrimento dentro do ambiente hospitalar. As marcas no ursinho acompanham as marcas da própria história do Heytor", explicou a profissional. A psicóloga conta que teve a ideia de transformar a experiência em livro a partir dos registros feitos pela mãe de Heytor durante cada internação.

"Ela anotava tudo desde os oito meses de vida. Pensei: por que não transformar essa história de amor e resiliência em algo que ajude outras crianças? E, felizmente, deu muito certo", relatou Regina Silva.

Livro se tornará apoio terapêutico na Unimed Teresina

Além de registrar a trajetória de Heytor, o livro nasce com uma função específica dentro do próprio hospital: servir como recurso terapêutico para outras crianças em tratamento. A proposta, segundo a psicóloga Regina Silva, é que a obra seja compartilhada com pacientes pediátricos para ajudá-los a compreender e ressignificar a experiência do adoecimento.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

"O livro será terapêutico para crianças hospitalizadas. A ideia é que elas tenham acesso e possam escrever a própria história a partir da história do Heytor", explicou. O médico e diretor técnico do Hospital Unimed Primavera, Rafael Correia Lima, destacou que a decisão de transformar a experiência em livro surgiu da percepção de que a história ultrapassava o âmbito individual e poderia alcançar outras famílias atendidas pela instituição.

"Quando a história do Heytor chegou para nós, sabíamos que não podia ficar só com a gente. A força dele precisava ser compartilhada com as quase 66 mil crianças que atendemos todos os anos aqui", afirmou o diretor. Para ele, a obra traduz a essência da prática assistencial da cooperativa.

"Isso é o Jeito de Cuidar Unimed. Nosso pensamento é que o hospital não é feito de paredes ou aparelhos, mas de gente para gente. Não adianta eu cuidar de 200 pacientes se não sei o nome de nenhum. Por isso, nosso foco será sempre o atendimento de qualidade e humanizado", disse Rafael Lima.

Uma publicação interativa para expressão pessoal

A publicação foi pensada para ser interativa: ao final, há espaços destinados para que cada criança escreva e desenhe sua própria vivência, transformando sentimentos e experiências em expressão pessoal. Para a psicóloga Regina, a narrativa mostra que o paciente não se resume ao diagnóstico e permite que cada criança encontre maneiras de lidar com seus medos e desafios.

Assim, ao acompanhar a jornada do menino e do ursinho Dodói, outras crianças podem reconhecer emoções, perceber possibilidades de superação e compreender que, mesmo diante da dor, ainda existem motivos para viver e celebrar. "A história mostra que as marcas ficam, mas também fica a superação. E isso pode ajudar outras crianças a ressignificar o próprio tratamento", concluiu a profissional.

Iniciativa reflete o jeito de cuidar da Unimed Teresina

O projeto do livro "Heytor, Dodói e a Magia da Coragem" foi abraçado pela direção da Unimed Teresina, que viu na iniciativa uma materialização prática do cuidado centrado no paciente. Para o presidente da cooperativa, Dr. Newton Nunes Filho, o lançamento representa mais do que uma obra literária.

"O Jeito de Cuidar é uma diretriz do Sistema Unimed. Ele se concretiza quando recebemos o reconhecimento de quem confia a vida a nós. A história do Heytor mostra que estamos no caminho certo para cuidar das pessoas com carinho e atenção", frisou o presidente.

O vice-presidente da Unimed Teresina, Dr. André Sobral, destacou que a experiência vivida pela família traduz a cultura da instituição. "Heytor não é um prontuário, é uma pessoa. Cada colaborador faz diferença e esse é o nosso propósito: oferecer assistência com qualidade, segurança e humanização".

Já o superintendente, Dr. Rodrigo Pereira, associou o projeto ao investimento permanente na valorização das pessoas dentro do sistema de saúde. Para ele, a qualidade da assistência da Unimed Teresina nasce do trabalho cotidiano das equipes.

"Quem entrega a assistência são os colaboradores, a equipe multiprofissional, em cada contato, em cada cuidado. E o livro representa justamente esse reconhecimento vindo de quem viveu a experiência do hospital. Ele mostra que a instituição não pode se limitar à técnica; precisamos garantir acolhimento, humanização e presença para praticar a medicina que o paciente precisa, sem deixar ninguém para trás", disse o superintendente.

O livro "Heytor, Dodói e a Magia da Coragem" tem autoria de Heytor Carreiro da Costa, Regina Silva, Deborah Duarte e Ewerton Rocha. A obra foi organizada e impressa com recursos próprios da Unimed Teresina, representando um marco na abordagem humanizada do cuidado hospitalar infantil.