A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma importante atualização na bula da vacina nonavalente contra o Papilomavírus Humano (HPV), que agora inclui explicitamente a proteção contra o câncer de orofaringe e outros tumores de cabeça e pescoço relacionados à infecção viral. Esta modificação representa um avanço significativo na prevenção de doenças oncológicas no Brasil, ampliando o espectro de proteção oferecido pelo imunizante.
Disponibilidade diferenciada entre rede pública e privada
É crucial destacar que a vacina nonavalente, com esta nova indicação, está disponível exclusivamente na rede privada de saúde, mediante prescrição médica e pagamento particular. Enquanto isso, o Sistema Único de Saúde (SUS) continua oferecendo gratuitamente a versão quadrivalente da vacina contra HPV, que também confere proteção, porém com um espectro mais limitado de cepas virais cobertas.
Impacto na saúde pública brasileira
Os tumores de cabeça e pescoço relacionados ao HPV têm apresentado aumento significativo de incidência nas últimas décadas, especialmente entre a população mais jovem. A inclusão desta proteção na bula da vacina nonavalente fortalece as estratégias de prevenção primária contra esses tipos de câncer, que frequentemente são diagnosticados em estágios avançados, dificultando o tratamento e reduzindo as chances de cura.
Especialistas em oncologia e infectologia ressaltam que a vacinação contra HPV representa uma das mais eficazes medidas de saúde pública para reduzir a carga de doenças oncológicas no país. A proteção contra os tumores de cabeça e pescoço se soma à já conhecida eficácia da vacina na prevenção do câncer do colo do útero, ânus, vulva, vagina e pênis.
Diferenças entre as vacinas disponíveis
Vacina nonavalente (rede privada):
- Protege contra 9 tipos de HPV
- Inclui proteção contra câncer de orofaringe e outros tumores de cabeça e pescoço
- Disponível apenas mediante pagamento particular
- Requer prescrição médica
Vacina quadrivalente (SUS):
- Protege contra 4 tipos de HPV
- Oferecida gratuitamente pelo sistema público
- Indicada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos
- Também disponível para pessoas vivendo com HIV e transplantados até 45 anos
A atualização da bula ocorre após extensos estudos clínicos que demonstraram a eficácia da vacina nonavalente na prevenção de lesões pré-cancerosas e cânceres associados ao HPV na região da cabeça e pescoço. Pesquisas epidemiológicas indicam que aproximadamente 70% dos cânceres de orofaringe em países desenvolvidos estão relacionados à infecção por HPV, principalmente pelos tipos 16 e 18, ambos cobertos pelas vacinas disponíveis.
As autoridades de saúde recomendam que a população consulte profissionais médicos para obter orientações personalizadas sobre a vacinação contra HPV, considerando fatores como idade, histórico de saúde e disponibilidade de recursos. A prevenção através da imunização continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir a incidência de doenças relacionadas ao Papilomavírus Humano no Brasil e no mundo.