Alertas de desmatamento caem 35% na Amazônia e 6% no Cerrado, segundo dados do Inpe
Desmatamento cai 35% na Amazônia e 6% no Cerrado

Queda expressiva nos alertas de desmatamento na Amazônia e Cerrado é registrada pelo Inpe

As áreas sob alerta de desmatamento apresentaram uma redução significativa na Amazônia Legal e no Cerrado durante o período de agosto de 2025 a janeiro de 2026, conforme informações divulgadas pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os números, revelados nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, após a 6ª reunião ordinária da Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Combate ao Desmatamento, realizada no Palácio do Planalto, indicam uma tendência positiva na preservação ambiental.

Dados detalhados mostram reduções importantes nos biomas

Na Amazônia, os alertas de desmatamento somaram 1.324 quilômetros quadrados, representando uma queda de 35% em comparação com o período anterior, quando foram identificados 2.050 quilômetros quadrados. Já no Cerrado, os alertas totalizaram 1.905 quilômetros quadrados, frente a 2.025 quilômetros quadrados, uma redução de 6%. Esses resultados refletem esforços contínuos de monitoramento e fiscalização, com o Deter atuando como um sistema de alertas diários para apoiar ações ambientais.

Além disso, os indicadores de degradação florestal na Amazônia apontam um recuo ainda mais expressivo, de 44.555 quilômetros quadrados para 2.923 quilômetros quadrados, uma diminuição de 93%. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que há uma expectativa de alcançar a menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia em 2026, se os esforços atuais forem mantidos. "Os resultados refletem políticas públicas baseadas em dados científicos e reforçam que o desempenho ambiental não comprometeu o crescimento econômico", afirmou a ministra.

Contraste com o Pantanal e fortalecimento da fiscalização

Em contrapartida, a situação no Pantanal apresenta um cenário diferente, com os alertas de desmatamento registrando um crescimento de 45,5% entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, passando de 202 quilômetros quadrados para 294 quilômetros quadrados. No entanto, na comparação entre 2023 e 2024, houve uma queda de 65,2%, indicando variações anuais que exigem atenção contínua.

O fortalecimento das ações de controle é apontado como um dos principais fatores para a redução dos alertas. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, em comparação com 2022, as ações de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) cresceram 59%, enquanto as operações do ICMBio aumentaram 24%. Outros avanços incluem:

  • Aumento de 51% nas áreas embargadas pelo Ibama e 44% pelo ICMBio.
  • Crescimento de quase 148% nas operações de fiscalização ambiental na Amazônia.
  • Elevação nas ocorrências registradas, de 932 para 1.754.
  • Apreensões de minérios subindo 170% e de madeira em 65%.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, ressaltou o papel crucial do monitoramento científico. "Toda a nossa cadeia de infraestrutura tecnológica nos dá a precisão necessária para subsidiar as políticas públicas de forma assertiva, provando que não há preservação sem investimento em conhecimento", disse ela, enfatizando que o Brasil utiliza a ciência como ferramenta de cuidado e soberania ambiental.

Perspectivas futuras e impactos econômicos

Os dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), também do Inpe, que mede a taxa anual consolidada, mostram uma queda acumulada de 50% no desmatamento na Amazônia e de 32,3% no Cerrado entre 2022 e 2025. Marina Silva destacou que o agronegócio continua crescendo, com a abertura de 500 novos mercados para a agricultura brasileira e o fechamento do acordo com a União Europeia e o Mercosul. "Isso demonstra que políticas públicas consistentes, bem desenhadas e implementadas dão bons resultados", concluiu a ministra, reforçando a compatibilidade entre preservação ambiental e desenvolvimento econômico.