UFMG desenvolve aparelho que identifica idade gestacional de recém-nascidos em segundos
UFMG cria aparelho que detecta idade gestacional em segundos

Inovação da UFMG promete revolucionar identificação de prematuros no Brasil

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram um aparelho inovador capaz de identificar, em poucos segundos, o tempo gestacional de bebês recém-nascidos. Esta tecnologia, que deverá ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) nos próximos meses, tem como objetivo principal ajudar médicos a reconhecer prematuros de forma rápida e precisa, visando reduzir a mortalidade infantil.

Problema que motivou a pesquisa

Segundo a professora Zilma Reis, coordenadora da pesquisa, a ideia surgiu de um grande desafio enfrentado diariamente por profissionais que trabalham em maternidades. "A identificação do bebê prematuro é crucial, mas as tecnologias atuais dependem do acesso precoce da gestante ao pré-natal e ao exame de ultrassom. Em muitos cenários, especialmente em comunidades remotas, isso simplesmente não é possível", explicou Zilma.

Como funciona a tecnologia

O desenvolvimento do aparelho envolveu uma equipe multidisciplinar composta por:

  • Médicos
  • Físicos
  • Engenheiros
  • Cientistas da computação

O dispositivo utiliza um feixe de luz infravermelha, invisível aos olhos humanos, para realizar a medição. "Quando a pele é iluminada, parte da luz é absorvida, parte espalhada e parte refletida. Esta análise luminosa fornece, matematicamente, um indicador objetivo da maturidade da pele, que está diretamente relacionada à maturidade do pulmão e de todo o recém-nascido", detalhou a pesquisadora.

Impacto na saúde pública

A prematuridade, definida como nascimento antes de 37 semanas de gestação, afeta aproximadamente 11% dos bebês nascidos em Minas Gerais, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. Bebês prematuros enfrentam riscos significativos de complicações diversas e frequentemente necessitam de unidades hospitalares especializadas.

O exame com o novo aparelho deve ser realizado em até 24 horas após o nascimento, sendo particularmente valioso para populações com acesso limitado ao sistema de saúde, como comunidades indígenas. "Em território indígena no Amazonas, onde muitas mães não têm acompanhamento médico regular, o equipamento já demonstrou resultados positivos, ajudando a identificar bebês que necessitavam de remoção urgente", relatou Zilma.

Próximos passos e implementação

A pesquisa contou com financiamento público nacional e internacional e já passou por testes em cinco centros de referência materno-infantil no Brasil e um na África. Agora, aguarda uma portaria do governo federal para autorizar sua utilização no SUS.

  1. Publicação da norma nos próximos dias
  2. Período de 180 dias para implementação nos centros de saúde
  3. Distribuição para áreas remotas do país

Importância do pré-natal continua

Apesar do avanço tecnológico, a pesquisadora enfatiza que o aparelho é "um instrumento a mais, uma ferramenta adicional", mas não substitui os cuidados essenciais durante a gravidez. "O que garante uma gravidez segura e um bom nascimento é o pré-natal de qualidade, bem realizado, que previne situações que levam ao parto prematuro", afirmou Zilma.

Esta inovação representa um passo significativo na redução da mortalidade infantil no Brasil, especialmente em regiões com menor acesso aos serviços de saúde, demonstrando como a ciência brasileira pode desenvolver soluções eficazes para desafios nacionais de saúde pública.