Estudos alertam para aumento alarmante de risco cardíaco entre mulheres até 2050
Risco cardíaco em mulheres deve crescer drasticamente até 2050

Pesquisas apontam crescimento alarmante de problemas cardíacos na população feminina

A combinação de três estudos distintos revela um cenário preocupante para a saúde cardiovascular das mulheres nas próximas décadas. As pesquisas convergem em um alerta unânime sobre o aumento significativo do risco cardíaco entre a população feminina, com projeções que indicam mudanças drásticas até 2050.

Projeções preocupantes para as próximas décadas

De acordo com dados publicados na revista Circulation, editada pela Associação Americana do Coração, estima-se que nos próximos 25 anos o número de mulheres vivendo com doenças cardiovasculares nos Estados Unidos crescerá de forma alarmante. As projeções indicam que seis em cada dez mulheres poderão desenvolver pressão alta até 2050, um aumento significativo em relação aos cinco em cada dez registrados em 2020.

O relatório constata que, mantidas as tendências atuais:

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  • Quase 60% das mulheres terão pressão alta (o índice hoje é de menos de 50%)
  • Mais de 25% terão diabetes, contra cerca de 15% atualmente
  • Mais de 60% terão obesidade, em comparação com os 44% atuais

Impacto nas gerações mais jovens

O avanço das doenças cardiovasculares será impulsionado pelo crescimento de enfermidades crônicas como diabetes e obesidade, afetando inclusive as gerações mais jovens. A tendência é tão preocupante que quase 32% das meninas entre 2 e 19 anos poderão apresentar obesidade até 2050.

"A doença cardiovascular é a principal causa de morte de mulheres e continua sendo seu risco de saúde número 1 em geral", afirmou a médica Stacey E. Rosen, presidente voluntária da Associação Americana do Coração. "Embora muitas pessoas possam pensar que condições como a pressão alta ocorrem apenas entre as mais velhas, sabemos que os fatores que contribuem para doenças cardíacas e AVC começam cedo, inclusive entre jovens".

Mortalidade maior entre mulheres jovens

Um segundo estudo, baseado em análise de dados de 2011 a 2022, revelou que o número de mortes após a primeira hospitalização por um ataque cardíaco grave aumentou significativamente entre pessoas de 18 a 54 anos. No entanto, a mortalidade foi maior entre as mulheres do que entre os homens nesta faixa etária, tanto para ataques cardíacos causados por bloqueio completo quanto por bloqueio parcial das artérias coronárias.

Desde 2004, a Associação Americana do Coração tem alertado sobre as lacunas de conscientização e cuidados clínicos relacionados à maior ameaça à saúde feminina: a doença cardiovascular. Apesar das taxas de complicações hospitalares serem semelhantes às dos homens, as mulheres recebem menos procedimentos cardiovasculares para identificar e tratar as causas do infarto.

Risco desproporcional com menos placas

Uma terceira pesquisa com mais de 4.200 adultos revelou dados surpreendentes: embora as mulheres geralmente tenham menos placas de gordura obstruindo as artérias do que os homens, isso não as protege de eventos graves. Para elas, o risco de ataque cardíaco e dor no peito se manifesta com uma quantidade menor de placa e aumenta rapidamente – particularmente após a menopausa.

As principais descobertas deste estudo foram:

  1. Menos mulheres apresentaram placas em suas artérias coronárias do que os homens (55% x 75%)
  2. Apesar de terem menos placas, as mulheres tiveram a mesma probabilidade que os homens de morrer por qualquer causa, ter um ataque cardíaco não fatal ou serem hospitalizadas por dor no peito
  3. As mulheres encaram maior risco cardíaco com níveis mais baixos de placa em comparação aos homens

"Como as mulheres têm artérias coronárias menores, uma pequena quantidade de placa pode significar um risco desproporcional para elas, o que sugere que as definições sobre o que é um padrão de alto risco talvez subestimem a condição feminina", explicou Borek Foldyna, autor sênior do trabalho e professor da faculdade de Harvard.

Prevenção como caminho essencial

Diante deste cenário preocupante, a Associação Americana do Coração reforça a importância da prevenção através de oito pontos essenciais:

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  • Atividade física regular
  • Dieta balanceada e saudável
  • Sono de qualidade adequado
  • Não fumar
  • Controle da pressão arterial
  • Controle do peso corporal
  • Controle dos níveis de colesterol
  • Controle do nível de açúcar no sangue

Os especialistas alertam que fatores sociais adversos como pobreza, baixa alfabetização e outros estressores psicossociais aumentam ainda mais o impacto das doenças cardiovasculares entre as mulheres, exigindo atenção especial dos sistemas de saúde e políticas públicas.