Medula doada pela mãe 'pega' no aniversário da filha em Natal
Medula doada pela mãe 'pega' no aniversário da filha

Medula doada pela mãe 'pega' no aniversário da filha em Natal

O aniversário de 25 anos de Sabrina Duarte ficará eternamente marcado na memória dela e de sua mãe, Dayane. A jovem, que está em tratamento contra leucemia em Natal, recebeu no último sábado (7) a confirmação de que a medula óssea doada pela própria mãe "pegou" em seu organismo, uma etapa fundamental para o sucesso do transplante.

Coincidência emocionante no dia do aniversário

O procedimento foi realizado há pouco mais de duas semanas em um hospital particular da capital potiguar conveniado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A doadora foi a mãe de Sabrina, Dayane, que apresentava compatibilidade de 50% com a filha. A confirmação da chamada enxertia – quando a medula transplantada começa a funcionar no corpo do paciente – chegou exatamente no dia em que Sabrina completou 25 anos.

A coincidência tornou o momento ainda mais emocionante para a família. Para comemorar, a equipe do hospital levou um bolo de aniversário para a paciente. "Há 25 anos eu estava na sala de cirurgia, passando o efeito da anestesia, e hoje, no mesmo horário, vieram aqui trazer a notícia de que Sabrina renasceu novamente", afirmou Dayane.

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"É muita emoção. Não sei nem explicar. No dia do meu aniversário, Deus me presenteou com o melhor presente que eu poderia ter", declarou Sabrina.

Fase delicada do tratamento

Entre a doação da medula e a confirmação da enxertia se passaram 16 dias, sendo a fase mais delicada do tratamento. Nesse período, Sabrina precisou ficar completamente isolada, sem visitas, porque o organismo fica extremamente fragilizado e sem defesas. "Foram 15 dias de choro, de angústia, de incertezas, mas também de muita fé", disse Dayane.

Segundo a equipe médica, a pega da medula indica que as células transplantadas começaram a produzir componentes do sangue no organismo da paciente. "Agora é um momento bom. Houve a enxertia, a medula pegou, o que significa que a medula óssea doada pela mãe está em pleno funcionamento no organismo dela", falou o hematologista Rodolfo Soares.

Acompanhamento rigoroso nos próximos meses

Apesar da boa notícia, o acompanhamento ainda precisa ser rigoroso nos próximos meses. "A gente precisa acompanhar praticamente diariamente por mais três meses para garantir que essa medula está funcionando plenamente e sem reações, como rejeição", completou o médico.

Sabrina e a família são de Arara, na Paraíba, mas o transplante foi realizado em Natal porque o estado vizinho não oferece esse tipo de procedimento pelo SUS. O Rio Grande do Norte é referência na região Norte-Nordeste para transplantes de medula óssea.

Novo horizonte para a família

Depois de meses de incerteza desde o diagnóstico da leucemia, a confirmação da enxertia trouxe um novo horizonte para a família. "Hoje o Sol voltou a brilhar nas nossas vidas. Na véspera do Dia Internacional da Mulher, eu deixo essa mensagem: mulheres, continuem sendo fortes e corajosas. Nós temos uma força e uma fé gigantescas, e Deus cuida de nós", disse Dayane.

Como se tornar doador de medula óssea

Para se cadastrar como doador, é necessário:

  • Ter entre 18 e 35 anos
  • Estar em bom estado de saúde
  • Procurar um hemocentro

No Brasil, o cadastro é feito por meio do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer. O processo é simples:

  1. É coletada uma pequena amostra de sangue para análise de compatibilidade genética (HLA)
  2. Os dados ficam armazenados em um banco nacional e internacional
  3. Caso surja um paciente compatível, o doador é convocado para exames complementares
  4. Confirmada a compatibilidade, realiza-se a doação

A doação pode ocorrer de duas formas:

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  • Por punção da medula óssea, com retirada do material diretamente do osso da bacia, sob anestesia
  • Por aférese, método semelhante à doação de sangue, no qual as células-tronco são coletadas pela corrente sanguínea após estímulo medicamentoso

A chance de encontrar um doador totalmente compatível pode ser de uma em cada 100 mil pessoas. Por isso, ampliar o número de voluntários cadastrados é fundamental para salvar vidas.