EMS investe R$ 1 bilhão em versão nacional do Ozempic após quebra de patente
Com o término da patente da semaglutida, princípio ativo dos medicamentos Ozempic e Wegovy da dinamarquesa Novo Nordisk, a maior farmacêutica brasileira, EMS, anunciou oficialmente seu ingresso na corrida por esse mercado bilionário. A empresa investiu mais de R$ 1 bilhão em tecnologia e infraestrutura para desenvolver uma versão nacional do tratamento para diabetes e obesidade, que não se classifica como genérico ou similar.
Medicamento totalmente novo com tecnologia química inovadora
Diferente do medicamento original, que é produzido por meio de células cultivadas em laboratório (biológico), a versão da EMS utiliza uma tecnologia de síntese totalmente química para criar peptídeos, o tipo de molécula presente no Ozempic. Este processo inovador resulta em um medicamento completamente novo, exigindo testes rigorosos para comprovar sua segurança e eficácia.
"Não se trata de genérico nem similar", explica o vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez. "Desenvolvemos um produto com tecnologia própria que representa um avanço significativo para a indústria farmacêutica nacional."
Registro na Anvisa e previsão de lançamento
O medicamento nacional já foi submetido para registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas ainda não há data definida para sua chegada às farmácias. A aprovação depende da análise completa do dossiê de estudos que comprovam segurança e eficácia, além da capacidade de fabricação em padrões internacionais.
Embora os genéricos normalmente cheguem ao mercado com preços cerca de 35% mais baixos que os originais, este não será o caso da semaglutida da EMS, já que o produto não se enquadra nessa categoria. "Ainda não temos definição de preço, mas podemos adiantar que chegaremos ao mercado de forma competitiva", afirmou Sanchez.
Infraestrutura e capacidade produtiva
O plano da EMS para produção da semaglutida tem mais de uma década de desenvolvimento e se materializa com uma fábrica em Hortolândia, interior de São Paulo, cidade próxima a Campinas. Segundo a empresa, atualmente seriam os únicos com condições de fabricar esses medicamentos de alta complexidade no Brasil.
A EMS já possui experiência no mercado com canetas de aplicação diária à base de liraglutida:
- Lirux: para tratamento do diabetes tipo 2
- Olire: para tratamento da obesidade
É provável que os novos medicamentos de uso semanal sigam padrão similar, com nomes e dosagens diferentes para pacientes com diabetes e obesidade.
Impacto no mercado farmacêutico brasileiro
A entrada da EMS neste mercado representa um marco importante para a indústria farmacêutica nacional, demonstrando capacidade de inovação e produção de medicamentos complexos. Com a quebra da patente da semaglutida, espera-se maior competitividade e possibilidade de acesso mais amplo a tratamentos para diabetes e obesidade no país.
O desenvolvimento deste medicamento totalmente novo, com tecnologia química inovadora, posiciona a EMS na vanguarda da produção farmacêutica brasileira e pode abrir caminho para outras inovações no setor de saúde nacional.



