Jet lag social: entenda o que é e como afeta sua saúde
Jet lag social: o que é e impactos na saúde

O que é o jet lag social?

Você vive com sono e sente que não dormiu direito durante a semana? E tenta compensar as horas perdidas no fim de semana? Isso pode ser chamado de jet lag social. Mas afinal, o que é isso?

A otorrinolaringologista e médica do sono Mariane Yui explica: "O jet lag social é um desalinhamento entre o ritmo circadiano – conhecido como nosso relógio biológico – e os horários que a vida social impõe, principalmente trabalho e compromissos. Muitas vezes, essa imposição também parte de uma busca por aumento da produtividade. O jet lag acontece quando existe uma diferença muito grande entre os horários de dormir e acordar praticados durante a semana e os horários do fim de semana. É como se a pessoa vivesse entre dois fusos horários diferentes."

Nosso cérebro sente essa mudança como um mini "jet lag" constante.

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Impactos na saúde

Quais são os impactos na saúde? "Do ponto de vista de saúde, os estudos mostram que o jet lag social está associado a uma piora na qualidade do sono, com aumento da sonolência diurna. E todos os impactos que essa privação de sono ao longo da semana pode causar: maior risco de obesidade, maior risco de doenças metabólicas. Existe um aumento da prevalência de doenças cardiovasculares nas pessoas que praticam o jet lag social", afirma Yui.

O sono desregulado também afeta diretamente a saúde mental e nossa forma de nos relacionar na sociedade.

O psiquiatra Gustavo Estanislau complementa: "Do ponto de vista psiquiátrico, uma pessoa com jet lag social constante e que se mantém ao longo do tempo tem muito mais predisposição a estados de estresse, porque ela tende a viver as coisas que estão acontecendo à volta de forma muito mais alerta. A tendência também é muito maior para quadros de ansiedade e até para quadros de depressão."

Compensação no fim de semana não funciona

Mesmo sendo um dia de descanso, o famoso "vou dormir o dia inteiro no sábado" não resolve totalmente. Segundo a otorrinolaringologista Mariane Yui, essa "também não é uma estratégia válida. Ela pode parecer que traz algum ganho, porque você tira no fim de semana um pouco da privação de sono acumulada durante a semana. Mas não dá para fazer um banco de horas de sono. A gente não consegue estocar sono."

Dicas para melhorar

A ciência mostra que pequenas mudanças ajudam: se expor à luz natural pela manhã, evitar telas tarde da noite e manter horários mais consistentes de sono.

Estanislau conclui: "O ideal seria que as pessoas pudessem entender como o corpo delas funciona e seguir padrões. O cérebro gosta de seguir padrões. Dormir mais ou menos no mesmo horário, ter um ritual para que o sono aconteça de forma ideal, e acordar em horários razoáveis para ter uma boa noite de descanso e manter esse padrão ao longo da semana."

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