PEC para fim da escala 6×1 avança na CCJ enquanto governo prepara projeto de lei com urgência constitucional
O deputado Paulo Azi (União-BA) apresentou, nesta quarta-feira, um parecer pela admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa pôr fim à escala de trabalho 6×1. O documento foi submetido à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, marcando um passo significativo na tramitação da medida.
Análise e expectativas na CCJ
O texto da PEC será analisado pelo colegiado nesta quarta-feira, mas a expectativa é de que um pedido de vista possa adiar a votação do mérito. Especialistas preveem que a deliberação final só deve ocorrer no final do mês, devido à complexidade do tema e à necessidade de debates mais aprofundados.
Em seu parecer, Paulo Azi destacou a importância de revisar as atuais condições de trabalho, argumentando que a escala 6×1 impacta negativamente a qualidade de vida dos trabalhadores. "É fundamental avançarmos em direção a uma jornada mais equilibrada, que respeite os direitos fundamentais dos cidadãos", afirmou o deputado em declarações à imprensa.
Projeto de lei do governo em paralelo
Em paralelo ao trâmite da PEC, o governo federal prepara o envio de um projeto de lei ao Congresso Nacional sobre o mesmo tema. A proposta terá urgência constitucional de 45 dias, o que significa que a Câmara e o Senado terão prazo limitado para deliberar sobre a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, sem qualquer redução salarial.
Essa medida busca alinhar a legislação brasileira com padrões internacionais e atender a demandas históricas de sindicatos e movimentos sociais. A urgência reflete a prioridade do governo em acelerar mudanças na área trabalhista, visando melhorar as condições de emprego no país.
Contexto e próximos passos
A PEC pelo fim da escala 6×1 já reuniu as assinaturas necessárias para sua tramitação, demonstrando apoio significativo entre parlamentares. A escala 6×1, que permite um dia de descanso após seis dias de trabalho, tem sido alvo de críticas por sua exaustividade e potenciais riscos à saúde dos trabalhadores.
Os próximos passos incluem:
- Análise detalhada da PEC na CCJ, com possíveis emendas e debates.
- Envio do projeto de lei do governo ao Congresso, com tramitação acelerada devido à urgência constitucional.
- Discussões públicas e negociações com entidades patronais e laborais para garantir um consenso sobre as mudanças.
Especialistas em direito trabalhista alertam que, embora as propostas sejam bem-vindas, é crucial garantir que a implementação não cause impactos negativos na economia ou no emprego. "Precisamos de um equilíbrio entre proteger os trabalhadores e manter a competitividade das empresas", comentou uma analista do setor.
Com informações de Gabriel Sabóia e Marcelo Ribeiro, a cobertura continua com atualizações sobre o desdobramento dessas iniciativas no Congresso Nacional.



