Advogada defende paternidade coercitiva igual à maternidade com nova licença
Paternidade deve ser tão coercitiva quanto maternidade, diz advogada

Advogada defende que paternidade precisa ser tão coercitiva quanto a maternidade

A recente mudança na legislação trabalhista brasileira está gerando debates importantes sobre a igualdade de gênero e os direitos parentais. A advogada Silvia Felipe Marzagão analisou o tema em entrevista, destacando que "a paternidade precisa ser tão coercitiva quanto a maternidade é", referindo-se à necessidade de normas que garantam a participação igualitária dos pais no cuidado dos filhos.

Ampliação gradual da licença-paternidade até 2029

Com a nova legislação, o período de afastamento do trabalho para pais será aumentado de forma gradual, com previsão de implementação completa até 2029. A medida beneficia especialmente trabalhadores autônomos, empregados domésticos e microempreendedores individuais (MEIs), grupos que tradicionalmente tinham menos acesso a esse tipo de benefício.

Segundo a especialista, esta expansão representa um avanço significativo na proteção social brasileira, mas precisa vir acompanhada de uma mudança cultural mais profunda. "Não basta apenas aumentar o tempo de licença; é necessário criar mecanismos que realmente incentivem e até obriguem os pais a exercerem sua paternidade de forma plena", argumentou Marzagão.

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Impacto social e desafios de implementação

A advogada explica que a expressão "paternidade coercitiva" não se refere a punições, mas sim à criação de estruturas legais e sociais que:

  • Garantam direitos iguais para mães e pais
  • Incentivem a participação masculina no cuidado infantil desde os primeiros dias
  • Criem expectativas sociais sobre a responsabilidade paternal
  • Estabeleçam consequências para o não cumprimento das obrigações parentais

Marzagão destaca que, enquanto a maternidade é naturalmente "coercitiva" devido às expectativas sociais e biológicas, a paternidade muitas vezes é tratada como opcional ou secundária. "Precisamos de normas que igualem essa responsabilidade, criando uma cultura onde os pais se sintam tão obrigados a cuidar de seus filhos quanto as mães", afirmou.

Contexto legal e próximos passos

A implementação gradual até 2029 permitirá que empresas e trabalhadores se adaptem às novas regras. A especialista acredita que este período de transição é crucial para:

  1. Educar empregadores sobre as novas obrigações
  2. Sensibilizar os trabalhadores sobre seus direitos ampliados
  3. Criar políticas públicas de apoio à parentalidade compartilhada
  4. Monitorar os impactos econômicos e sociais da medida

Esta mudança legislativa ocorre em um momento de transformação nas discussões sobre gênero e família no Brasil, com crescente reconhecimento da importância da participação paterna no desenvolvimento infantil e no equilíbrio familiar.

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