Novo prefeito de Saint-Denis enfrenta ataques racistas após eleição e convoca mobilização antirracista
Prefeito de Saint-Denis sofre ataques racistas e convoca protesto

Prefeito eleito de Saint-Denis enfrenta onda de ataques racistas e convoca mobilização antirracista

Bally Bagayoko, aos 52 anos, tornou-se o novo prefeito de Saint-Denis, cidade com aproximadamente 150 mil habitantes localizada ao norte de Paris e conhecida por sua significativa população imigrante. Eleito em primeiro turno pelo partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), Bagayoko vem enfrentando uma série de ataques racistas desde sua vitória eleitoral há poucas semanas.

Ataques em canal de TV geram revolta e denúncias

O político foi alvo de comentários considerados racistas no canal de televisão CNews, propriedade do empresário bilionário e ultraconservador Vincent Bolloré. Em resposta, Bagayoko apresentou uma queixa formal contra a emissora e convocou uma grande mobilização antirracista para o próximo sábado (4), às 14 horas, na escadaria da prefeitura de Saint-Denis.

Em sua conta no Instagram, o prefeito descreveu o evento como um "encontro de cidadãos para demonstrar nossa forte oposição ao racismo, à discriminação e ao ódio ao próximo, contra a islamofobia, o antissemitismo, a extrema direita e a xenofobia".

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Contexto pessoal e polêmicas políticas

Filho de pais malineses, Bagayoko cresceu em Saint-Denis - a cidade mais populosa da região Île-de-France depois da capital Paris. Além dos ataques racistas, o político também tem lidado com a disseminação de fake news sobre sua gestão e se envolveu em uma polêmica ao propor o desarmamento progressivo da polícia municipal.

Essa proposta levou a acusações de que o prefeito estaria tentando se livrar de funcionários municipais que não se alinhariam às suas políticas. Durante um programa da CNews, o apresentador questionou um psicólogo convidado se Bagayoko estaria "tentando ultrapassar os limites", ao que o profissional respondeu com uma análise que gerou ampla crítica.

Reações políticas e sociais

A líder do grupo parlamentar França Insubmissa, Mathilde Panot, denunciou o que classificou como "racismo descarado e sem vergonha" no canal. Um senador comunista definiu a emissora como "antro de racismo", enquanto um deputado do Partido Verde a chamou de "notícias lixo".

O chefe da organização antirracista SOS Racismo também condenou o episódio, afirmando tratar-se de um "ataque com evidentes conotações racistas". O MRAP (Movimento Contra o Racismo e pela Amizade entre os Povos) anunciou que apresentaria uma queixa contra a CNews, alertando para "a preocupante normalização de um discurso que reativa padrões racistas profundamente enraizados".

Posicionamento da emissora e autoridades reguladoras

Em comunicado divulgado na segunda-feira, a CNews - principal canal de notícias em participação de audiência na França com 3% do total - afirmou que "nega formalmente que quaisquer comentários racistas tenham sido feitos" em sua programação. A emissora, regularmente criticada pela Arcom (autoridade independente que regula o audiovisual no país), mencionou trechos "truncados e retirados de seu contexto".

A Arcom, acionada pelo MRAP e pela SOS Racismo, informou que "investigaria as denúncias apresentadas" contra o canal.

Apoio do governo francês

Após ser alvo das declarações racistas, Bally Bagayoko recebeu nesta segunda-feira (30) o apoio do governo francês. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, declarou à rádio RTL: "Considero esses ataques desprezíveis. Estamos na França, é a República Francesa que reconhece todos os seus filhos, independentemente de sua origem", afirmando que esse tipo de ataque é inadmissível.

A ministra da Cultura, Catherine Pégard, classificou as falas como "ataques vis e inaceitáveis", reforçando o posicionamento do governo contra a discriminação racial.

Segunda controvérsia envolvendo o prefeito

Uma segunda polêmica surgiu no sábado (28), quando o ensaísta Michel Onfray acusou Bagayoko de comportamento "machista" por pedir "lealdade" após sua eleição. Essa declaração adicionou outra camada de complexidade ao início do mandato do novo prefeito de Saint-Denis.

O caso continua a gerar debates sobre racismo, liberdade de expressão e responsabilidade midiática na França, com a mobilização antirracista marcada para o próximo sábado representando um momento crucial na resposta a esses ataques.

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