Palmas adota gestão compartilhada nas UPAs com investimento milionário
A gestão compartilhada das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul de Palmas com a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba está oficialmente em vigor desde a última sexta-feira (10). O novo modelo representa uma mudança significativa na administração dos serviços de saúde de urgência e emergência na capital tocantinense, com promessas de maior investimento, ampliação de serviços e metas rigorosas de qualidade.
Transição acelerada e novo modelo operacional
A implementação do novo sistema ocorreu de forma antecipada devido à escassez crítica de servidores na sexta-feira anterior, o que forçou a entrada imediata das equipes da Santa Casa para garantir a continuidade dos atendimentos à população. Conforme explicou a secretária municipal de Saúde, Adriana Caminski, em entrevista à TV Anhanguera, a transição estava originalmente prevista para o domingo (12), mas as circunstâncias demandaram ação mais rápida.
"A gestão das unidades permanece sob responsabilidade da Prefeitura e da Secretaria de Saúde, que cuidam do direcionamento metodológico e da fiscalização", afirmou a secretária. "À Santa Casa cabe a operacionalização dos serviços, incluindo garantia de insumos, medicamentos, exames e contratação de profissionais como médicos e enfermeiros."
Ao longo do contrato, a secretaria atuará como órgão fiscalizador para assegurar o cumprimento do plano de trabalho estabelecido, mantendo assim o controle público sobre os serviços prestados.
Investimento ampliado e expansão de serviços
Segundo Adriana Caminski, Palmas era a única capital brasileira que ainda não havia aderido ao modelo de gestão compartilhada para otimizar os serviços de saúde. A Santa Casa de Itatiba apresentou proposta após solicitar habilitação jurídica, resultando em um contrato que prevê investimento mensal de R$ 5,8 milhões por UPA.
Este valor representa aproximadamente R$ 1 milhão a mais em comparação com o que era gasto anteriormente em cada unidade. A secretária justifica o aumento como investimento necessário para garantir escalas completas de profissionais e a ampliação de serviços especializados.
"Vamos ampliar serviços que não existiam nas UPAs, como ortopedia e pediatria, que desde o dia 13 estão em pleno funcionamento, principalmente na UPA Sul", explicou Caminski. "Agora temos dois pediatras na escala, influenciando inclusive o fluxo do Hospital Geral de Palmas (HGP). Muitos pacientes que iam para o HGP na ortopedia e pediatria não irão mais, serão solucionados na UPA."
Metas de qualidade e realocação de servidores
Um aspecto inovador do contrato é a vinculação de 20% do pagamento à qualidade do serviço prestado. A Santa Casa deverá realizar pesquisas de satisfação e atingir índice mínimo de 80% de aprovação dos usuários, além de cumprir metas quantitativas de atendimento. Caso os indicadores não sejam satisfatórios, o município poderá retomar o serviço integralmente.
Os servidores efetivos que atuavam nas UPAs foram redistribuídos principalmente para a atenção primária, podendo também optar por trabalhar no SAMU ou nos CAPS. Sobre a preocupação com perda de gratificações de urgência, a secretária informou que a atenção primária também possui gratificações específicas e que uma revisão salarial está prevista para maio.
"O profissional com expertise em urgência e emergência vai poder ser mais resolutivo nos atendimentos que é possível fazer na unidade de saúde", comentou Caminski. "Grande parte dos atendimentos realizados na UPA eram classificados como verde e azul, condições que a atenção primária pode atender."
Fortalecimento da atenção básica e projetos futuros
Para complementar as mudanças, a secretaria anunciou a implementação das "Unidades Corujinha", projeto piloto que fará com que 11 unidades de saúde funcionem até a meia-noite, com equipe completa e farmácia aberta, a partir de 22 de abril. O objetivo é testar o modelo de horário estendido antes de possível ampliação para outras unidades da cidade.
Adicionalmente, a gestão pretende prorrogar o concurso público da saúde, que venceria em julho. Segundo a secretária, todas as vagas do edital foram preenchidas e o cadastro reserva está sendo utilizado conforme a necessidade de novos chamamentos, especialmente para reforçar as unidades básicas de saúde.
Esta reestruturação completa do sistema de saúde de Palmas busca aumentar a resolutividade tanto nas UPAs quanto na atenção primária, desafogando o Hospital Geral de Palmas e oferecendo serviços mais qualificados à população em diferentes pontos da rede de saúde municipal.



