TJSP recorre ao STF para manter pagamento de penduricalhos ilegais
TJSP recorre ao STF para manter penduricalhos ilegais

Tribunal de Justiça de São Paulo recorre ao Supremo para manter benefícios acima do teto constitucional

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) ingressou com recurso junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, buscando derrubar a decisão do ministro Flávio Dino que suspendeu o pagamento dos chamados penduricalhos ilegais nos Três Poderes. Esses benefícios, concedidos a servidores públicos, ultrapassam o teto remuneratório constitucional estabelecido em R$ 46,3 mil.

Decisão de Flávio Dino e argumentos do TJSP

Na semana passada, o ministro Flávio Dino concedeu liminar determinando a suspensão das verbas indenizatórias sem base legal em um prazo de 60 dias. No entanto, o TJSP argumenta em seu recurso que essa suspensão não pode ocorrer antes que o Congresso Nacional aprove regras específicas para definir quais parcelas indenizatórias podem ser admitidas como exceção ao teto constitucional.

"Antes do decurso de prazo razoável a ser assegurado ao legislador para a adoção das medidas legislativas necessárias à regulamentação definitiva pendente, não se mostra adequado estabelecer disciplina substitutiva geral", afirmam os advogados do tribunal paulista. Eles defendem que o Supremo não pode, por meio de decisão aditiva, fixar o regramento aplicável sem a devida legislação.

Riscos apontados pelo tribunal e julgamento marcado

O TJSP também alega que a suspensão generalizada das parcelas indenizatórias, antes da lei ordinária nacional prevista na Constituição, pode gerar graves consequências. Entre elas, estão a assimetria federativa, o comprometimento irremediável da administração da justiça, efeitos financeiros irreversíveis e a criação de insegurança jurídica sistêmica.

O plenário do Supremo Tribunal Federal já marcou o julgamento definitivo sobre a decisão do ministro Flávio Dino para o dia 25 de fevereiro. Este caso envolve diretamente a discussão sobre a legalidade dos penduricalhos, benefícios que têm sido alvo de críticas por violarem o teto remuneratório constitucional.

O presidente do TJSP, Francisco Eduardo Loureiro, está à frente da ação, que busca garantir a continuidade dos pagamentos até que o Congresso estabeleça as normas definitivas. O recurso enfatiza a necessidade de autocontenção do STF, argumentando que a corte deve aguardar a ação do legislativo antes de impor mudanças radicais.