Vereador do Rio entra com ação para anular desapropriação de prédio ativo em Botafogo
Ação judicial questiona desapropriação de imóvel ativo em Botafogo

Vereador do Rio entra com ação para anular desapropriação de prédio ativo em Botafogo

O vereador Pedro Duarte (PSD), presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, ingressou com uma ação popular na Justiça estadual para tentar anular o decreto municipal que desapropriou um imóvel na Rua Barão de Itambi, em Botafogo, Zona Sul da cidade. A ação já tramita na 15ª Vara de Fazenda Pública, representando um novo capítulo na polêmica envolvendo a administração municipal e proprietários do local.

Detalhes do processo judicial

No processo, o parlamentar pede a intimação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a declaração de nulidade do Decreto 57.362/2025 e a concessão de tutela antecipada (liminar) para suspender os efeitos da norma até decisão final da Justiça. O decreto, assinado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) e publicado em 27 de novembro de 2025, declarou o imóvel de utilidade pública para fins de desapropriação por hasta pública.

Este mecanismo faz parte do Plano Diretor e permite ao município levar diretamente a leilão imóveis considerados ociosos, abandonados ou que não cumpram a função social. Desde o início da controvérsia, Duarte sustenta que o prédio não estava abandonado nem subutilizado e, portanto, não se enquadraria nos critérios legais para esse tipo de desapropriação.

Argumentos da defesa do imóvel

Segundo o vereador, o imóvel estava alugado e havia planejamento para troca de bandeira do supermercado que funcionava no local. "Ainda que o beneficiário da expropriação seja entidade eminentemente privada, a desapropriação por hasta pública demanda uma causa de utilidade pública, quer uma renovação urbana, quer uma regularização fundiária", justificou o vereador na ação popular.

O advogado que assina a ação, Vinícius Monte Custodio, afirmou que o decreto fere princípios legais. "A ação popular é uma medida judicial que permite a qualquer cidadão brasileiro pleitear a anulação de atos lesivos ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente ou ao patrimônio histórico-cultural", explicou o profissional.

Recurso contra arquivamento de inquérito

Paralelamente à ação popular, Duarte recorreu, no último dia 4, contra o arquivamento de um inquérito civil instaurado pela 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Urbanismo da Capital. O procedimento havia sido aberto para apurar a legalidade do decreto, mas foi encerrado 20 dias depois, sob o argumento de perda de objeto, já que a empresa proprietária do imóvel havia ajuizado ação própria.

O vereador sustenta que a ação movida pelo Grupo Sendas — de natureza declaratória de nulidade — trata de direito individual. Já a representação feita por ele teria alcance mais amplo, ao questionar a conformidade do ato administrativo com o Plano Diretor e eventual desvio de finalidade.

"É importante ressaltar que, apesar do arquivamento, a promotora destacou em seu despacho os indícios de ausência de requisitos necessários à utilização da desapropriação por hasta pública, bem como a falta de motivação técnica do decreto e desvio de finalidade", disse Duarte sobre o caso.

Reação de moradores e proprietários

A desapropriação do imóvel gerou reação de moradores e empresários da região. O prédio pertence à Sendas Invest e estava alugado para operação de supermercado. Arthur Sendas Filho, presidente da empresa proprietária, afirmou que o imóvel estava em atividade.

"Querem tomar nosso imóvel. Imagina se amanhã uma imobiliária quer a sua casa, sua loja, seu imóvel e combina com a prefeitura uma ação. A prefeitura desapropria, a imobiliária compra no leilão e decide fazer um empreendimento bem onde era a sua casa. Estamos chocados", declarou o empresário.

Posicionamento da prefeitura

Em entrevista à CBN, no fim do ano passado, o prefeito Eduardo Paes afirmou que a desapropriação foi motivada por um pleito da Fundação Getulio Vargas (FGV) para conectar prédios na região e viabilizar um projeto ligado a pesquisa e inteligência artificial. Segundo ele, o encaminhamento ainda pode ser ajustado.

"Se for mais interessante para a cidade, nós vamos fazer", disse Paes sobre a possibilidade de revisão do processo. O imóvel alvo da prefeitura do Rio tem entrada pela Rua Barão de Itambi e pela Rua Jornalista Orlando Dantas, localização estratégica na Zona Sul carioca.